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Besouro e a cultura afro-brasileira: Jessica Barbosa é capa da revista Raça

quinta-feira, 29|10|2009

A protagonista de Besouro está com tudo. Mesmo antes da estreia do filme, em que ela interpreta Dinorah, o amor do herói, e a belíssima Iansã, orixá dos ventos e das tempestades, Jessica Barbosa começa a brilhar, e não é só como mais um rostinho bonito nas telas. Sua postura séria de jovem atriz talentosa, negra e baiana, que ainda por cima é linda, já faz dela uma representante importante da nossa cultura afro, aspecto que a principal revista sobre o tema no país, a Raça, pescou com competência na sua última edição, trazendo para a capa uma reportagem sobre a evolução do cinema negro no Brasil e um perfil de Jessica. Confira no link abaixo:

Revista Raça - Jessica Barbosa: “Ser brasileiro é ser negro”

Irandhir Santos: destampando a própria sombra para viver Noca de Antônia

domingo, 16|11|2008

De todos os jovens protagonistas de Besouro, o ator Irandhir Santos talvez seja o mais experiente. Afinal, tem no currículo o papel principal em A Pedra do Reino, do diretor Luiz Fernando Carvalho, mini-série de alta qualidade que a Rede Globo exibiu em 2007, baseada na obra de Ariano Suassuna. Ainda assim, interpretar Noca de Antônia, o violento e taciturno chefe dos jagunços do coronel Venâncio, não tem sido tarefa fácil para este pernambucano de 30 anos que já está ficando famoso pela entrega com que se dedica a seus personagens.

“O Noca é um sujeito que traz nele sentimentos desumanos, nojentos. Para vivê-lo, eu tive que descobrir isso em mim também. Tive que lidar com a minha sombra, com aquilo que eu tenho de mais nojento, de mais mau dentro de mim. Foi difícil. Mas libertador”, conta o ator.

Para realizar essa transformação interna, Irandhir contou, claro, com a fundamental ajuda da preparadora de elenco Fátima Toledo. Foi ela quem ajudou o Irandhir de fala mansa, jeitão tranquilo e gentil a descobrir de onde tirar o ódio que faz Noca literalmente babar espuma em cena. E a chave para isso veio de uma constatação ancestral do ator: “Desde a infância, reprimo muito os palavrões. Foi destampando as palavras feias do meu subconsciente que pude buscar a alma do Noca dentro de mim”, diz Irandhir.

Nesta foto, Irandir e Ailton Carmo não estão em cena - estão apenas aquecendo. Note que Noca baba de raiva

Nesta foto, Irandhir e Ailton Carmo não estão em cena - estão apenas aquecendo. Note que Noca baba de raiva. Em primeiro plano, Flávio Rocha, o coronel Venâncio, observa

De fato, basta alguns minutos de observação de Irandir no set para perceber esse processo. Seu aquecimernto para entrar em cena é um espetáculo à parte. “Miséria preta”, “safado” e “derrota” são apenas as publicáveis das palavras a que Irandhir recorre durante sua preparação, instantes antes de suas participações no filme. “Nunca falei tanto palavrão na minha vida como nas útlimas semanas”, reconhece o ator, entre surpreso e divertido. Uma entrega admirável, que dá a perfeita medida da dedicação do elenco de Besouro aos personagens desta fantástica história.

No vídeo abaixo, um flagrante de Irandhir destampando algumas de suas palavras feias para fazer emergir o ódio de Noca para uma cena de perseguição a Besouro nas ruas de Igatu:

Jessica Barbosa: com Dinorá no destino

terça-feira, 21|10|2008
Jessica em cena: moldada para o papel do grande amor de Besouro

Jessica em cena: moldada para o papel do grande amor de Besouro

IGATU (BA) - “Foi em cima da hora”. “No susto”. “Nem sabia direito pro que era…” É curioso como as trajetórias dos jovens protagonistas de Besouro até o set foram de certa forma parecidas. Talvez pela pressa com que foram selecionados, talvez pela confidencialidade que envolveu o casting do filme, o fato é que vários deles têm histórias similares para contar sobre esse processo. Ailton Carmo, o Besouro, estava morando na Bélgica e passava pelo Brasil por acaso na época dos testes. Nilton Júnior, o Cobra Criada, soube no dia. Macalé dos Santos, o Mestre Aílípio, foi caçado por amigos em Salvador para se apresentar à produção do filme. E com Jessica Barbosa, a Dinorá, principal personagem feminino do filme, o destino também foi bastante generoso. A própria atriz de 22 anos, baiana radicada no Rio, conta o que aconteceu:

“Meu grande sonho sempre foi fazer um curso com a Fátima Toledo. Com a ajuda dos meus irmãos, consegui me inscrever para um, e fui para São Paulo só pra isso. E logo no primeiro dia de aula, assim que me viu, a Fátima me perguntou se eu jogava capoeira. Com eu disse que sim, fiz um vídeo com ela, assim, meio rapidinho. No dia seguinte, já estava embarcando pra Bahia fazer um teste para a Dinorá”.

O diretor João Daniel Tikhomiroff, que acompanhou os primeiros testes incógnito, reconhece que, depois que viu o vídeo com Jessica, sentiu que sua escolha para o papel não seria tão difícil quanto ele imaginava. “A beleza exótica dela chamou nossa atenção desde o início. E quando ela começou os testes, vimos também que, além de boa atriz, ela parecia ter sido moldada de corpo e alma para ser a Dinorá”, lembra João.

No set de Besouro, é difícil não notar a presença de Jessica. Não apenas pela beleza da mulata de olhos claros e cabelo exuberante - que ora estão soltos, ora estão trançados, dependendo da cena que ela está rodando -, mas também pela postura concentrada que adota tanto diante das câmeras quanto fora delas, nos intermináveis intervalos de espera entre um plano e outro. Como todo bom discípulo de Fátima Toledo, Jessica não “faz” a Dinorá. Jessica “é” a Dinorá. Mesmo que seja se protegendo do sol inclemente da Chapada debaixo de uma barraca da produção, tomando um reles copinho de água mineral, sendo presa a cabos de aço para “voar” em cena ou aquecendo o personagem.

Farjalla FX: A ‘Família Buscapé’ dos efeitos especiais

terça-feira, 14|10|2008
A equipe da Farjalla e sua Kombi: amizade e experiência

A equipe da Farjalla e sua Kombi: amizade e experiência

Tiro de festim, tiro em objetos, tiro em corpos, tiro no chão, tiro de poeira, tiro de fagulha, vento, chuva, fogo, sangue e explosões. São de perder a conta os efeitos especiais que as filmagens de Besouro requerem. Não é de se estanhar, portanto, que a Farjalla FX, empresa fundada pelo pioneiro dos efeitos especiais no Brasil, Sérgio Farjalla, tenha trazido para a Bahia nada menos que uma tonelada de equipamentos e material de trabalho para serem usados no set de Besouro.

Só de tiros de festim há 800 cargas, de diversos calibres. Armas são 75: 30 cenográficas, 45 verdadeiras (devidamente adaptadas para festim, claro), e ainda dois “fuzis” de paint-ball, usados para disparar bolinhas carregadas de poeira ou fagulha, que fazem o efeito de balas atingindo o chão durante cenas de tiroteio.  No caminhão da Farjalla, vieram ainda duas turbinas de vento, dezenas de quilômetros de fios para detonação de explosivos, geradores de fumaça e um sem-número de outros apetrechos e macetes, usados com maestria pela equipe formada pelo coordenador de efeitos especiais e armas do filme, Márcio Farjalla, e seus assistentes Eugênio Carlos Salvador, João dos Santos e Luis Henrique Andrade.

Besouro corre e Farjalla atira bolas de paint-ball, com carga de poeira em sua direção: é a equipe da FX em ação

Um ator corre lá embaixo e cá em cima Farjalla atira bolas de paint-ball com carga de poeira em sua direção: é a equipe da FX em ação

Com a experiência de quem já trabalha com armas e efeitos especiais há mais de 20 anos - é sobrinho do fundador e um dos sócios da Farjalla FX - Márcio atua nas filmagens também como instrutor de tiro e coordenador de cenas de ação que envolvem o uso de armamentos. “Estudo armas desde garoto. Tenho uma coleção de armas antigas em casa. Então, uso essa experiência para orientar os atores, figurantes e dublês sobre como manusear revólveres e espingardas de época da maneira mais adequada”, conta Márcio.

No set de Besouro, Farjalla e sua equipe atuam afinados. Quando não estão trabalhando em alguma cena, dando tiros de paint-ball, fazendo fumaça ou provocando explosões, é fácil encontrá-los na Kombi branca que usam como transporte, depósito, local de descanso e “sala de reunião”, onde discutem as melhores soluções de efeitos para os próximos planos

. Um dos maiores desafios da equipe neste filme ocorrerá no fim de novembro, quando coordenarão a simulação de um grande incêndio. “Sem dúvida, vai ser nosso trabalho mais difícil em Besouro”, diz Márcio, ao lado dos insperáveis assistentes, com quem já trabalha há muitos anos. “Somos uma família. Uma família Buscapé, mas ainda assim uma família”, brinca.

O Besouro da Chapada

terça-feira, 30|09|2008

IGATU (BA) - Até há cerca de três meses, o jovem capoeirista Ailton Carmo, muito mais conhecido como Coquinho, aluno do Mestre Cascudo, nunca tinha sonhado com a vida de ator. Nem tinha tempo pra isso. Estava vivendo na Bélgica, onde ganhava a vida como professor da arte que aprendeu ainda criança aqui mesmo, na Chapada Diamantina, onde nasceu e cresceu.

Quis o destino, contudo, que Ailton (ou Coquinho, ou Besouro, você escolhe) tivesse que vir ao Brasil em junho, recrutar dois capoeristas para trabalharem com ele na Europa. Quando chegou a Lençois, sua cidade natal, para visitar a mãe, soube que o casting de Besouro tinha passado três dias antes por lá, selecionando capoeiristas para o filme. “A princípio eu não estava interessado, mas meio sem querer, meio querendo, soube que ainda haveria testes na cidade de Cachoeira. Corri pra lá”, conta o novo ator de 21 anos, ainda sem distinguir ao certo o tamanho da fama que muito provavelmente o espera.

Em Cachoeira, bastou um minuto de apresentação para que Coquinho, mesmo sem estar inscrito oficialmente nos testes, encantasse a produtora de elenco Patrícia Duarte e se classificasse para a segunda fase da seleção. E foi assim, no susto, que começou a nascer o Besouro. Definitivamente parido, como não poderia deixar de ser, numa aula de maculelê. “O telefone tocou no meio da apresentação. E eu, que sonhava fazer parte do filme só para aparecer jogando nas rodas, fui informado de que iria interpretar o Besouro… Foi difícil de acreditar”, conta.

A festa pela escolha, porém, já passou há muito tempo. Deu lugar a trabalho duro, com as oficinas de atores de Fátima Toledo. Quase dois meses de preparação física e mental para uma missão ainda mais pesada, que começou nesta terça-feira. Só no primeiro dia de filmagens, foram mais de 15 tomadas para uma única cena de capoeira, exigência de um filme que tem na ação envolvente e perfeitamente coreografada alguns de seus elementos fundamentais. E os efeitos colaterais já começam a ser sentidos. “Cortei o pé num caco de vidro que surgiu da areia, de tanto que a gente remexeu o terreno nas tomadas”, conta ele, que também já anda com uma pomada anti-inflamatória a tiracolo, para aplacar dores num pulso recentemente deslocado (veja o vídeo abaixo).

As dores físicas, porém, são fichinha para a vibração que Ailton e os demais atores transmitem ao entrar no set. Coisas que talvez só o espírito da capoeira - ou do Besouro em pessoa, quem sabe? - possam explicar.