IGATU (BA) - Quando os jovens atores de Besouro entrarem em cena, amanhã, verão que o vilarejo de Igatu, encravado no meio da Chapada Diamantina, a centenas de quilômetros do litoral e cercado de pedra por todos os lados, virou uma cidade de pescadores do Recôncavo Baiano. Licença poética? Efeitos especiais? Não, pura direção de arte e cenografia, a cargo da equipe de Claudio Amaral Peixoto.
Em quase dois meses de trabalho de pré-produção em Igatu, a turma da cenografia gastou centenas de litros de tinta (na foto abaixo, a assistente de arte Lee Lorgus pinta uma fachada, já nos preparativos finais da pré-produção) muita madeira e uma boa dose de colaboração dos moradores para maquiar completamente ruas e casas da vila. “Procuramos padronizar tudo com poucas cores, justamente para dar o tom meio fantasmagórico ao ambiente, como pede o roteiro”, conta Claudio Amaral Peixoto.

Uma feira de negros, tÃpica dos anos 20 baianos, foi montada numa rua lateral. Ali acontecerão as cenas mais importantes dos primeiros dias de filmagem. Ao fundo da rua principal, um armazém com velas de jangada enroladas na porta dá os ares marÃtimos para a cidade. O cenário não mostra, mas na imaginação do diretor de arte, bem atrás do amazém está a foz do Rio Paraguassú, palco principal do comércio pesqueiro do Recôncavo Baiano no começo do século XX.Curiosamente, o mesmo Rio Paraguassu que, de fato, passa bem perto de Igatu, em forma de saltos e corredeiras, no princÃpio de seu curso em direção ao mar.


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A cenografia de Besouro transformou Igatu, mas não recriou uma cidade nova. Não era necessário. Ao contrário de muitas produções do gênero, o filme não se passa na praça ou na rua principal. No Recôncavo dos anos 20, a igreja matriz não era frequentada pelos negros. A ação de Besouro acontece nas vielas, nos locais onde os negros se reuniam em rodas de capoeira, nos armazéns, nas biroscas e nas casas dos personagens. Uma das poucas grandes “construções” cenográficas em Igatu, portanto, é o muro abaixo, feito justamente para  para esconder a praça da vila, transformando o que de fato é a rua principal do lugar numa viela secundária da cidade fictÃcia.

