O garimpeiro mais famoso de Igatu
Publicado por Paulo Mussoi, enviado especial ao set - 23|10|2008IGATU (BA) - Dono de uma pequena birosca, que vende bebidas e meia dúzia de gêneros de primeira necessidade, Aguinaldo Leite dos Santos é um dos moradores nativos mais “ricos” de Igatu. Aos 70 anos, casado há 45 e com dez filhos “vingados”, Aguinaldo - ou seu Guina, como é muito mais conhecido - já praticou todas as atividades econômicas possÃveis na região.
Além do comércio que mantém há 38 anos, garimpa desde os 20. Já colheu, sozinho, seis toneladas por ano de sempre-viva, uma planta de alto valor comercial nativa da Chapada, que por décadas foi explorada pelos moradores até entrar em risco de extinção e ter sua extração proibida. Tanta atividade deu a Seu Guina uma relativa tranquilidade financeira, que para os padrões de extrema pobreza de Igatu faz dele um homem privilegiado.
Sua fama no lugar, contudo, vem mesmo é do garimpo. Até hoje ele explora seu próprio pedaço de leito de rio, a cerca de um quilômetro de Igatu, fora dos limites do Parque Nacional, onde a atividade é proibida. De lá ele ainda traz, de quando em vez, pequenos diamantes de um ou dois quilates, que exibe com orgulho e tenta vender para quem quer que entre em seu botequim.
Mas é claro que ele tem consciência de que o garimpo na região não tem mais a sombra do vigor de outrora, quando era comum extrair-se pedras de até cinco quilates do Rio Paraguaçu e seus afluentes. Dessa época, seu Guina guarda mesmo são boas histórias. Como as das viagens que fazia semanalmente, em lombo de mula, de Igatu até Lençóis, para vender os diamantes dos garimpeiros da sua vila.
“SaÃa daqui à s cinco da manhã, com os diamantes enrolados num papel. E voltava à s cinco da tarde, com um paco de dinheiro vivo dentro da capanga. Vinha sozinho, sem medo e desarmado…. Agora diga, seu moço, quando que eu poderia fazer algo assim nos dias de hoje?”, pergunta seu Guina, referindo-se não só à insegurança dos tempos atuais, mas também ao fato de que a sede de diamantes na região está em franca decadência. Graças não só à proibição do garimpo em toda a área pertencente ao Parque Nacional da Chapada Diamantina, mas também ao crescimento de outra indústria, igualmente poderosa e lucrativa: o turismo.
Mesmo assim, os olhos de Seu Guina ainda brilham, qual diamante, quando ele manipula suas pedras, balanças e contrapesos. E brilham mais ainda quando algum turista compra uma de suas preciosidades.
O que, acredite, não é raro.

“Causos” como os do Sr Guina merecem ser registrados em livro. Ou quem sabe em filme?
Estive em Igatu, uma semana depois que a produção do filme tinha deixado a cidade.
Sr. Guina foi a primeira pessoa que conheci, e ficar tomando uma no barzinho dele e escutando os causos dele é maravilhoso.
Ele está super feliz e satisfeito pois o estabelecimento dele, como muitas outras casas da vila, foram pintadas pela produção do filme. Realmente, é de ficar orgulhoso mesmo, a vila tá lindinha demais.
Mas por outro lado, está desolado. Foi roubado. Levaram a carteira dele com todos os documentos e diamantes. Sorte pra seu guina.
Que benefÃcios esse filme(ou outro filminho qualquer) deixarão pra IGATU além de paredes pintadas!!!????
Por que não ajudam de fato os jovens de lá a estudar e poder ter um futuro de verdade, que não catando grama no chão ou carregando material de filmagem por R$5-10 ao dia!!??
Selamun aleyküm arkadaş.!
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