Besouro abrindo caminhos para o ‘Exu’ de Sérgio Laurentino
Publicado por Paulo Mussoi - 19|10|2009
Sua primeira cena é assustadora. Para espectadores desacostumados às tradições e crenças da religião afro, ela soará como a entrada de um grande vilão. Mas não é nada disso. Logo fica claro que o orixá Exu é a primeira - e possivelmente a mais importante - de uma série de forças sobrenaturais que ajudarão Besouro a transformar-se num herói. Um personagem tão impactante como esse não poderia ser vivido por ninguém diferente que o ator baiano Sérgio Laurentino. Não por coincidência, ele próprio um devoto da cultura afro. Com uma caracterização tão impactante (basta ver as fotos…) desnecessário dizer o quão emocionante foi para este baiano de 32 anos e quase dois metros de altura viver nas telas um de seus orixás de devoção. Às vésperas de ver o resultado de seu trabalho pela primeira vez, Sergio conversou com o Blog do Besouro. Confira:
Blog do Besouro: Como você acha que as pesssoas ligadas ao Candomblé e outras religiões afro estão aguardando a estréia de Besouro? Acha que elas vão gostar?
Sérgio Laurentino: “Aqui na Bahia todos que encontro dizem que ‘o dono’ da minha cabeça deve estar muito orgulhoso por este personagem. De fato eu, o Bando de Teatro Olodum e todos os segmentos da etnia negra esperamos por este filme. Nada mais justo que colocar os orixás como aquilo que são: deuses. E graças a eles, que estiveram tomando conta de tudo que aconteceu neste filme, Besouro será um sucesso”.
BB: Você já viu alguma versão do filme? Quando irá vê-lo pela primeira vez?
SL: “Ainda não vi. Assistirei à premiére do Rio, na segunda-feira, dia 19. Estou morrendo de curiosidade para ver”.
BB: O que você espera do filme? Sucesso de público e crítica? Só de público? Só de crítica?
SL: “Eu espero o melhor deste filme. Que ele seja sucesso de público e de crítica, e que também seja fonte de estudos para os afro-descendentes. Que ele, como Exu, comunique e preencha todas as lacunas estéticas que nós brasileiros ainda temos quando se trata deste tipo de dramaturgia”.
BB: Já dá para sentir algum impacto de sua participação em Besouro na sua carreira?
SL: “Sim… ontem estava fazendo um espetáculo chamado ‘Africas’, dirigido por Chica Carelle, onde eu faço um feiticeiro africano. No fim da peça, um garoto chegou para mim e disse: ‘Eu e todos na minha escola, que fica no centro de Salvador, estamos loucos para ver Besouro, só para ver você voar’”.
BB: O que você pode dizer sobre a importância de seu personagem na trama? Qual vai ser o impacto que você acha que ele vai ter sobre a audiência?
SL: “Bem… As forças da natureza têm que se comunicar com os mortais. Aí entra o Exu, que instiga a mudança de Besouro e o acompanha até a sua missão ser cumprida. Acho que vai ser impactante ver os olhos vermelhos de Exu, o seu cabelo… Na verdade, acredito que todos os orixás vão ser muito bem vistos e esperados neste filme, pois o João Daniel teve muito cuidado e carinho com estes personagens. Eu que sou da religião, fiquei admirado com esta preocupação”.
BB: Do núcleo negro do filme, você era o único que não lutava capoeira. Como foi lidar com isso? O que a capoeira representa pra você?
SL: “É verdade… Embora admire e respeite muito a capoeira, não pratico. Por isso, também foi muito legal ter tido o convívio e as aulas de capoeira com professores chamados Ailton Carmo, Anderson Grillo e Jessica Barbosa… Todos treinam capoeira há muito tempo, e foi admirável vê-los jogando. Mesmo sabendo que se Exu precisasse, acabaria com qualquer luta rapidinho, com um sopro!! (risos)”
BB: Pra você, Besouro é mais um filme sobre a capoeira, sobre os negros ou sobre os orixás?
SL: “Besouro é um filme de ação, que também fala de amor e de coisas do Brasil. Tudo isso misturado produziu um filme genuinamente brasileiro como jamais se viu.”
BB: Como você vê a forma pela qual os orixás são representados no filme?
SL: “Vejo como um grande avanço para a dramaturgia. Esta é a história que eu sempre quis mostrar sobre os nossos deuses. Que são nossos, dos negros, e de todos todos que os queiram também”.
BB: Como está sua carrreira pós-Besouro? Fale um pouco sobre seus projetos.
SL: “Eu sigo atuando em teatro com o Bando de Teatro Olodum, de Salvador, e temos um novo projeto chamado ‘Respeito aos mais velhos’, que deve estrear no próximo ano. Fora do teatro estou esperando um pouco, pois prometi que só ia fazer algo em cinema ou TV depois que os meus olhos tocassem em Besouro. E está perto…”


Olá, descobri sobre esse filme e esse blog por acaso. Sou estudante de Relações Públicas, na UNIFACS, aqui em Salvador. E estou fazendo um estudo sobre a imagem do negro no cinema e na televisão brasileira. Gostaria de entrar em contato com alguém da produção para tirar algumas dúvidas.. Seria possível ? Estou ansiosa para ver o filme. A pré-estreia em Salvador será somente para convidados ?
Att,
Andrea acredito que sim!! Mas dia 30 de outubro ele estréia nacionalmente, assisti a pré estréia, vale muito a pena ver.
É emocionante ler a entrevista de Sérgio Laurentino e saber o tamanho do respeito com que os nossos Deuses serão tratados. É importante tratar de forma respeitosa a crença que fortalece e reconhece o tempo e os espaços sagrados dos negros. que este “Besouro” seja acopanhado pela força dos orixás e voe. Axé!!
Estou ansiosa para assistir ao filme.É importante esse resgate da nossa trajetória como afro descendente. A capoeira, os Orixás e tantas outras belezas. Parabéns
ADOREI ! ESSES ATORES E ATRIZES MARAVILHOSOS , AMEI VER GEISA COSTA(ZULMIRA) ENTRE OUTROS , TODOS MARAVILHOSOS ESSE É O MEU POVO! PARABENS E SUCESSO A TODOS , QUE OS ORIXÁS DE OXALÁ À EXÚ LHES ABRAM CAMINHOS PARA O SUCESSO… AXÉ
É realmente impressionante a maneira cuidadosa e esteticamente encantadora que os orixás, principalmente Exu, são mostrados no filme Besouro. Exu e todos os outros orixás estão sendo apresentados como aquilo que representam: forças da natureza. Parabéns a todos, principalmente, Laurentino.
Ví uma parte do trailler do filme decidí assistí-lo, a primeira vez que ouví uma cantiga de capoeira sobre o Besouro foi por um PM capoeirista.
Qual não foi minha surpresa ao ver o personagem provocando o feirante, nínguém o via, logo deduzí, quando Exú, se revelou em toda a sua Força, na cena, pela primeira vez ví justiça na abordagem ao dono de minha cabeça…
Foi magnífico…
Adorei o filme. O final deixou o gosto de quero mais.Parabéns
oi negão mais um susseso em,continui asim lembra que um dia eu falei que vc ia longe bejão e muito ssuceso alem do que vc ja obtve
OLá.
Sou Graduado em Enfermagem e Pós-Graduado em Educação. Amante da cultura negra sou Mestre-Sala em uma tradicional Escola de Samba do Espírito Santo. Também sou Negro e Umbandista.
Respeito demais o Candomblé e aprendi a amá-lo através de minha amada, que tem muito me ensinado sobre.
Foi realmente impressionante a visão do cineasta quanto ao Orixá Exu. E a participação de Sérgio foi imensa. Conseguiu mostrar a superioridade moral e sua interferência no destino do homem, somente quando necessário. Teria ele o poder de parar todo sofrimento daquele povo, de uma vez só, mas aquele não era o destino. Maravilhoso!
Passei a ser fã do ator e do filme. Impressionantemente lindo para aqueles que conhecem os nossos antepassados, nossa cultura e nossa religião.
Gostaria de ter o e-mail ou orkut de Sérgio.
Grande Abraço!
Tony
SOU FÃ DE CARTEIRINHA DE EXU, SE NÃO FOSSE EXU NA MINHA VIDA…
ELE É O MÁXIMO!!!!!!!!!!!!
LAROIA EXU!
eu adorei o filme besouro e tudo de bom e eu gosto muito de capoeira e gostei de conhecer um pouco da historia de besouro o grande capoerista e o melhor que eu ja ouvir falar amei o filme
PARABENS VOCES AREBENTARAO…….
mano vao todo mundo toma no cu fdp capetas do caum
esrael vai se foder maluko vai procura exu no inferno fdp
Nossa que lindo o filme,quem disse que no brasil nao se produzem boas coisas,e o ator que fez o exú e o besouro,que dois negros lindos,gostaria muito de poder um dia conhecê-los pessoalmente,
grato claudio.
Realmente fiquei muito feliz de ver os orixás no filme, principalmente a forma de que trataram o Exú (aqui no sul comumente conhecido como Orixá Bará) no filme mostrando que este orixá nos protege se sabemos reverenciá-lo e agradá-lo. Seria bom se todos no Brasil vissem para acabar com esses preconceito contra as nossas religiões. Parabéns Sérgio, parabéns a todos que fizeram esse maravilhoso filme sobre a história do nosso maior capoeirista. Só lamentei não ver o meu amado Pai Oxalá no filme, mais uma vez parabéns