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abril, 2009

 

O corte do diretor

quinta-feira, 30|04|2009

Normalmente, o processo de edição de um longa-metragem como Besouro produz entre cinco e dez cortes - ou versões do filme - até se chegar ao corte definitivo, aquele que será exibido para o público. Durante esse processo, é comum realizar-se exibições privadas, para pessoas próximas da produção, amigos e conselheiros do diretor, como forma de testar o impacto da narrativa, observar as reações do espectador e, claro, recolher opiniões e sugestões para possíveis melhorias na edição. Há algumas semanas que Besouro vem passando por este delicado processo. E na terça-feira, dia 7 de abril, o diretor João Daniel Tikhomiroff exibiu, na sede da distribuidora Buena Vista, o que pode já ser considerado a “primeira versão final” de Besouro, em termos de estrutura de edição. Em outras palavras: o corte do diretor já está pronto.

O filme foi exibido pela primeira vez para diretores e funcionários da distribuidora Buena Vista, numa cópia digital ainda sem finalização e com a trilha sonora incompleta (”offline”, no jargão do cinema). Na platéia, havia também um convidado especial: o diretor Cacá Diegues, amigo e conselheiro de João Daniel, que tem assistido aos cortes desde o princípio. Após a exibição, uma reunião a portas fechadas decidiu novos ajustes finos e adequações que ainda precisam ser feitos. Mas a história de Besouro, do jeito que o diretor João Daniel Tickhomiroff quer contar ao grande público, já está lá.

Este blog também teve o prazer e a honra de acompanhar a exibição. E vai dizer abaixo, nos mínimos detalhes, tudo o que ele pode dizer sobre o que viu:

ESTÁ DEMAIS.

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Gravando a trilha sonora com Rica Amabis, Nação Zumbi e Naná Vasconcelos

segunda-feira, 27|04|2009

A gravação da trilha de Besouro está em pleno andamento. Mais de 50% dos sons incidentais e canções que irão acompanhar - e enriquecer - a saga do maior capoeirista de todos os tempos já estão prontos e aplicados na edição do filme. Tudo fruto do trabalho da equipe de Rica Amabis, líder do coletivo musical Instituto e veterano em trilhas sonoras para cinema. São dele, por exemplo, os sons de O Invasor, de Beto Brant e Seja o que Deus quiser, de Murilo Salles. Em Besouro, Rica não está sozinho. Pelo contrário. Nos estúdios, a composição e a execução da trilha - carregada de elementos psicodélicos, na definição do próprio Rica - também estão a cargo da galera do Nação Zumbi. E o trabalho ainda conta com uma colaboração de alto luxo: o talento de Naná Vasconcelos, para muitos o melhor percussionista do mundo, e que foi protagonista, quatro anos atrás, do filme Diário de Naná, de Paschoal Samora, que nasceu como uma pesquisa sonora para o projeto de Besouro e acabou virando documentário premiado internacionalmente.

Naná participa da trilha introduzindo sons mágicos ao filme, principalmente nos momentos em que o herói Besouro aparece na tela. Para isso, o percussionista pernambucano visitou algumas vezes os estúdios de gravação da trilha. De frente para uma tela que exibia as cenas já prontas, Naná criava livremente, usando tambores, bumbos, gongos e até a própria voz, tudo enriquecido por efeitos sonoros da equpe de engenharia de som. No vídeo abaixo, um registro valioso desse trabalho, cedido gentilmente ao blog pelo Pupillo, baterista do Nação.

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Leia em breve: um bate-papo com Rica Amabis sobre o processo de criação da trilha de Besouro.

Besouro na mídia: Jornal O Dia noticia produção

terça-feira, 21|04|2009

Uma reportagem do jornalista Pedro Landim marcou a divulgação da produção de Besouro no jornal carioca O Dia. A matéria diz que um “super-herói brasileiro, negro e filho de Ogum, está prestes a invadir as telas do cinema nacional”. O texto dá destaque também à presença do coordenador de cenas de ação Huen Chiu Ku e à atuação da atriz Jessica Barbosa, que interpreta Dinorah. Para o jornal, Jessica é a “atriz-revelação” de Besouro.

Clique no link abaixo para baixar a reportagem na íntegra (em PDF):

Jornal O Dia: Filme sobre lenda da capoeira tem coreógrafo das lutas de ‘Matrix’

Um pouco de História: como, afinal, morreu Besouro?

segunda-feira, 6|04|2009
Numa imagem da década de 20, uma típica roda de capoeira, idêntica aquelas nas quais Besouro reinava

Apesar de registrada nos anais da cidade baiana de Santo Amaro, as circunstâncias da morte de Manoel Henrique Pereira, o Besouro Mangangá, ocorrida no dia 8 de julho de 1924, ainda permanecem um mistério. As lendas e as músicas a seu respeito, nas quais o filme de João Daniel Tikhomiroff se inspira, falam de assassinato por faca de ticum, a única madeira que seria capaz de afetar homens de corpo fechado como Besouro. Na vida real, contudo, há muita controvérsia e pouca certeza a respeito do fim do grande herói dos capoeiristas da Bahia.

Que ele morreu de faca, é quase certo. Há até testemunhas, ainda vivas, que lembram de ver Besouro sendo levado ao hospital, ensanguentado. Uma delas, inclusive, é ninguém menos que a mãe de Caetano Veloso, Dona Canô, que aos 102 anos de idade vive até hoje em Santo Amaro.

Há quem diga que Besouro morreu em confronto com a polícia. Porém, a versão mais aceita é a de que ele foi morto numa emboscada armada contra ele, com todas as características de vingança, perpetrada por um fazendeiro rico da região, conhecido por Dr. Zeca.

Consta que o filho do fazendeiro, conhecido como Memeu, tomou uma surrra de Besouro. Dr. Zeca, então, armou a seguinte cilada: pediu que um testa-de-ferro seu “contratasse” Besouro para entregar um bilhete numa fazenda nas imediações de Santo Amaro, e voltar à fazenda no dia seguinte, para saber a resposta. Besouro não desconfiou que o destinatário do bilhete era o seu próprio assassino e, analfabeto que era, foi incapaz de identificar que o conteúdo da mensagem que ele mesmo entregava era sua sentença de morte: euma ordem para que o portador do bilhete fosse assassinado.  

Assim, no dia seguinte, quando foi receber a “resposta”, Besouro teria sido cercado por mais de 40 soldados. Então, um homem conhecido por Esébio de Quibaca - o destinatário do bilhete - o esfaqueou até a morte.

Teria morrido assim, então, o rapaz forte, impetuoso e tão ágil que ganhou o apelido de Besouro porque “voava”, “mangangá” porque era rápido e perigoso como o peixe venenoso que leva esse nome, e “cordão de ouro” porque era tão bom na capoeira que sua graduação, seu “cordão”, não tinha cor nenhuma, como ocorre com os demais capoeiristas: era, simplesmente, “de ouro”.

Corpo fechado

quarta-feira, 1|04|2009

Em mais uma cena já editada para o primeiro corte de Besouro, o herói recebe de Zulmira - sua mentora espiritual, vivida pela atriz Geisa Costa - a proteção de Ogum contra seus inimigos. Veja: