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outubro, 2008

 

Olha a equipe de Besouro aí, gente!

sexta-feira, 31|10|2008

Na foto abaixo - gentilmente cedida pelo artista Cristian Cravo, que prepara um belo livro fotográfico sobre as filmagens - temos toda grande parte da equipe de produção e o elenco de Besouro reunidos em Lencóis. Alguns produtores e parte da equipe de arte, que estão desproduzindo o que já ficou para trás ou preparando o que ainda está por vir em outras locações, não estão na foto. O blogueiro, que passa uma temporada forçada no Rio, também ficou de fora, mas volta ao set depois de amanhã.

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Câmeras em ação

quinta-feira, 30|10|2008

Depois dos atores e do cenário, não há nada que inspire mais fascinação em um set de filmagem do que as câmeras. Afinal, é em função delas que tudo acontece. Em Besouro elas são quatro, e em breve chegará mais uma, para tomadas subaquáticas que serão feitas na semana que vem. Veja abaixo algumas cenas dessas máquinas maravilhosas e seus operadores em ação:

O assistente de câmera Alê Dantas "ensina" o ator Anderson Grillo a manipular o equipamento...

O segundo assistente de câmera Alê Dantas 'ensina' o ator Anderson Grillo a manejar o equipamento...

... e ele se amarra na aula!

... e ele se amarra na aula!

Mais câmera: dessa ve é o primeiro assistente Breno Cunha que dá um trato na boa e velha Aimo, trazida ao set pelo produtor-executivo Caíque Ferreira para prestar serviço em planos subjetivos experimentais. Como ela não tem video assist, o diretor de fotografia Enrique Chediak costuma acoplar uma pequena Leika junto à lente. Experimentalismo puro...

O primeiro assistente Breno Cunha dá um trato na boa e velha Eyemo, trazida ao set pelo produtor-executivo Caíque Martins Ferreira para fazer planos subjetivos experimentais. Como ela não tem video-assist, o diretor de fotografia Enrique Chediak costuma acoplar sua pequena Leika digital junto à lente. Experimentalismo puro...

O que é plano subjetivo experimental? É isso aí: Dee Dee chega voando...

O que é plano subjetivo experimental? É isso aí: o chinês Dee Dee chega voando...

O que é plano subjetivo experimental? É isso aí: Dee Dee chega voando...

... e, ato contínuo, passa a Eyemo para Breno, que entra correndo com ela num dos cenários do set. Será que ficou bom? Só saberão quando o filme for revelado...

O operador de câmera Daniel Duran se concentra drante a tomada de uma cena. Atrás, o segundo assistente Tiago Rivaldo faz o foco

O operador de câmera Daniel Duran se concentra durante a tomada de uma cena. Atrás, o segundo assistente Tiago Rivaldo auxilia

Câmera em movimento: o dublê Rogério de Jesus voa e a câmera de Daniel Duran vai trás, durante uma tarde de trabalho da segunda unidade em Igatu

Câmera em movimento: o dublê Rogério de Jesus voa e a câmera de Daniel Duran vai trás, durante uma tarde de trabalho da segunda unidade em Igatu

Câmera indiscreta: antes de fechar no olhar poderoso de Jessica Barbosa, a câmera enquadra, por instantes, o decote da atriz

Câmera indiscreta: antes de fechar no olhar poderoso de Jessica Barbosa, o video-assist mostra que o enquadramento, por instantes, estava no decote da atriz

Câmera molhada: com direito a capa de chuva amarelinha

Câmera molhada: com direito a capa de chuva amarelinha. Em primeiro plano, o ator Sergio Laurentino, no papel de Exu, não tem o mesmo privilégio

A câmera por testemunha: só ela sabe o que o diretor João Daniel está instruindo a Jessica

A câmera por testemunha: só ela sabe o que o diretor João Daniel está instruindo à atriz Jessica Barbosa

Câmera paciente: o zoom aguarda, sem pressa, o bocejo do cachorro na esquina

Câmera paciente: o zoom aguarda, sem pressa, o bocejo do cachorro na esquina

Câmera carente: o primeiro assistente de câmera Cris Conceição da um colo para o equipamento

Câmera carente: o primeiro assistente Cris Conceição dá um colo para o equipamento, durante um intervalo nas filmagens

Besouro para inglês ver

quarta-feira, 29|10|2008
O cartaz da peça In Blood: The Bacchae. Besouro e As Bacantes no palco

O cartaz da peça In Blood: The Bacchae. Besouro e Bacantes em palco londrino

LENÇÓIS (BA) - Não é só aqui na Bahia que a imagem mítica de Besouro está sendo retratada pela ótica da ficção. Há poucos dias, o Blog do Besouro conversou com o capoeirista e produtor cultural Carlo Alexandre Teixeira - o Mestre Carlão, um carioca que vive há 12 anos em Londres, onde pilota o Centro Cultural Kabula, que promove a capoeira e a cultura afro-brasileira na Europa. E não é que o grupo de Alexandre está terminando de produzir uma peça teatral justamente sobre o Besouro, para ser encenada na terra de Shakespeare?

A peça In Blood: The Bacchae está marcada para estrear em janeiro do ano que vem, no Arcola Theatre, sala do circuito alternativo de Londres. Escrita e dirigida pelo dramaturgo Noah Birksted-Breen, com mestre Carlão e o ator shakespereano Gregory Hicks nos papéis principais, a peça, como o próprio nome já indica, vai mostrar a trajetória do herói negro brasileiro misturada à tragédia grega As Bacantes, de Eurípides.

“O personagem de Besouro será mesclado ao de Dionísio, de forma a apresentar o tema da capoeira, que é inédito e inusitado na cena teatral inglesa, junto de um tema universal, com o qual o público britânico já está acostumado, contou ao blog, por email, o mestre Carlão. Uma iniciativa até certo ponto parecida com o que o teatro e o cinema já fizeram com a peça Orfeu. “Nossa intenção é trazer a capoeira para um palco onde ela nunca teve acesso, e mostrar ao público inglês uma peca recheada de elementos da cultura afro-brasileira”, conclui.

Tomara que a mistura dê samba. Ou melhor: capoeira…

***

No vídeo abaixo, uma promo de In Blood: The Bacchae publicada no You Tube:

Cinema para mim é…

quarta-feira, 29|10|2008

… uma aprendizagem dura, para o ator e diretor teatral Antônio Fábio, que faz em Besouro sua estréia em longas-metragens, interpretando o jagunço Serafim:

A ala da força

terça-feira, 28|10|2008
O maquinista Nilo Vidal não está malhando com halteres: está operando o contrapeso de uma grua, durante um plano do filme

Não, o maquinista Nilo Vital não está malhando halteres: está operando a grua, o que exige força mas também muita concentração

IGATU (BA) -Tirando uma ou outra câmera mais delicada, quase nada no equipamento de cinema é leve. Tripés, rebatedores, holofotes, trilhos, quilômetros de cabos… Isso sem contar a imensa grua Jimmy Jib e os gigantescos butterflies, os difusores de luz de mais de 30 metros quadrados que a produção de Besouro usa nas cenas externas. Tudo equipamento grande, pesado e caro. Para aguentar esse tranco todo, e sem deixar nada cair ou estragar, não é preciso ter só força, mas também muito cuidado e organização. O maquinista Nilo Vital (da foto acima) é quem comanda esse time, que é formado pelos assistentes de maquinária Bala, Nilo Jr., Quim, Nil e Soninho. Este último também é o motorista do caminhão da maquinária. Assim como o Nathan e o Domingos, que transportam em suas vans o material do departamento de arte, e o Trevisan, que leva em seu caminhão toda a estrutura usada para os vôos dos atores, fornecida pela empresa da brasileira Milica Zerlotti.

E também dá para incluir nessa “ala da força” de Besouro o pessoal da elétrica, por que não? Chefiados pelo eletricista Edu Segovia - que monta toda a iluminação do filme, de acordo com as necessidades do diretor de fotografia Enrique Chediak - os assistentes Marcílio, Barreto, Marcelo e o motorista Augusto também levantam um peso forte, instalando holofotes e geradores onde quer que seja necessário.

Veja abaixo alguns momentos da rotina dessa galera que está sempre pegando no pesado sem perder o bom humor:

Mutirão: maquinistas e eletricistas se unem para transportar a grua Jimmy Jib. Em primeiro plano, o diretor de platô, Chicão, coordena a operação

Mutirão: maquinistas e eletricistas se unem para transportar a grua Jimmy Jib. Em primeiro plano, o diretor de platô, Chicão, coordena a operação

Os motoristas Domingos, Nathan e Trevisan posam na traseira do caminhão da Milica

Os motoristas Domingos, Nathan e Trevisan posam na traseira do caminhão

Edu Segocia observa a instalação de um rebatedor. Muito mais que eletricista, ele é o iluminador do filme

Edu Segovia observa a instalação de um rebatedor. Eletricista do filme, ele trabalha em parceria com Enrique Chediak na iluminação do set

Marcelo, da elétrica, cuida de holofotes e butterflies durante a filmagem de mais uma cena

Marcelo, da elétrica, cuida de holofotes e butterflies durante a filmagem de mais uma cena. Os sacos verdes são lastros, que evitam que o vento derrube o equipamento

João Daniel: a emoção de rodar a última cena de Besouro

segunda-feira, 27|10|2008

Na última noite de trabalho em Igatu, pouco antes de embarcar para a segunda fase de filmagens, que já acontecem em Lençóis, o diretor João Daniel Tikhomiroff conversou com o blog. Ele falou sobre a emoção de ter rodado aquela que será a última cena do filme, e também sobre a experiência de trabalhar com as equipes do diretor de fotografia, Enrique Chediak; do diretor de arte, Claudio Amaral Peixoto; e do coordenador de cenas de ação, Dee Dee. Confira:

Olhos de Besouro

domingo, 26|10|2008
Olhos verdes: da figurante Vitória, de dez anos

Olhos verdes: da figurante Vitória, uma das crianças da feira dos pobres

Olhos negros: da figurante ?????

Olhos negros: da bela figurante que faz uma vendedora da feira dos pobres

Olhos vermelhos: do ator Sérgio Laurentino, caracterizado como Exu

Olhos vermelhos: do ator Sérgio Laurentino caracterizado como Exu

Cinema para mim é…

sábado, 25|10|2008

… Uma experiência extracorpórea, para o montador de Besouro, Gustavo Giani:

O garimpeiro mais famoso de Igatu

quinta-feira, 23|10|2008
Seu Guina e seu diamante: a pedra é cara, mas são suas histórias que não têm preço

Seu Guina e seu diamante: a pedra é cara, mas são suas histórias que não têm preço

IGATU (BA) - Dono de uma pequena birosca, que vende bebidas e meia dúzia de gêneros de primeira necessidade, Aguinaldo Leite dos Santos é um dos moradores nativos mais “ricos” de Igatu. Aos 70 anos, casado há 45 e com dez filhos “vingados”, Aguinaldo - ou seu Guina, como é muito mais conhecido - já praticou todas as atividades econômicas possíveis na região.

Além do comércio que mantém há 38 anos, garimpa desde os 20. Já colheu, sozinho, seis toneladas por ano de sempre-viva, uma planta de alto valor comercial nativa da Chapada, que por décadas foi explorada pelos moradores até entrar em risco de extinção e ter sua extração proibida. Tanta atividade deu a Seu Guina uma relativa tranquilidade financeira, que para os padrões de extrema pobreza de Igatu faz dele um homem privilegiado.

Sua fama no lugar, contudo, vem mesmo é do garimpo. Até hoje ele explora seu próprio pedaço de leito de rio, a cerca de um quilômetro de Igatu, fora dos limites do Parque Nacional, onde a atividade é proibida. De lá ele ainda traz, de quando em vez, pequenos diamantes de um ou dois quilates, que exibe com orgulho e tenta vender para quem quer que entre em seu botequim.

Mas é claro que ele tem consciência de que o garimpo na região não tem mais a sombra do vigor de outrora, quando era comum extrair-se pedras de até cinco quilates do Rio Paraguaçu e seus afluentes. Dessa época, seu Guina guarda mesmo são boas histórias. Como as das viagens que fazia semanalmente, em lombo de mula, de Igatu até Lençóis, para vender os diamantes dos garimpeiros da sua vila.

“Saía daqui às cinco da manhã, com os diamantes enrolados num papel. E voltava às cinco da tarde, com um paco de dinheiro vivo dentro da capanga. Vinha sozinho, sem medo e desarmado…. Agora diga, seu moço, quando que eu poderia fazer algo assim nos dias de hoje?”, pergunta seu Guina, referindo-se não só à insegurança dos tempos atuais, mas também ao fato de que a sede de diamantes na região está em franca decadência. Graças não só à proibição do garimpo em toda a área pertencente ao Parque Nacional da Chapada Diamantina, mas também ao crescimento de outra indústria, igualmente poderosa e lucrativa: o turismo.

Mesmo assim, os olhos de Seu Guina ainda brilham, qual diamante, quando ele manipula suas pedras, balanças e contrapesos. E brilham mais ainda quando algum turista compra uma de suas preciosidades.

O que, acredite, não é raro.

Jessica Barbosa: com Dinorá no destino

terça-feira, 21|10|2008
Jessica em cena: moldada para o papel do grande amor de Besouro

Jessica em cena: moldada para o papel do grande amor de Besouro

IGATU (BA) - “Foi em cima da hora”. “No susto”. “Nem sabia direito pro que era…” É curioso como as trajetórias dos jovens protagonistas de Besouro até o set foram de certa forma parecidas. Talvez pela pressa com que foram selecionados, talvez pela confidencialidade que envolveu o casting do filme, o fato é que vários deles têm histórias similares para contar sobre esse processo. Ailton Carmo, o Besouro, estava morando na Bélgica e passava pelo Brasil por acaso na época dos testes. Nilton Júnior, o Cobra Criada, soube no dia. Macalé dos Santos, o Mestre Aílípio, foi caçado por amigos em Salvador para se apresentar à produção do filme. E com Jessica Barbosa, a Dinorá, principal personagem feminino do filme, o destino também foi bastante generoso. A própria atriz de 22 anos, baiana radicada no Rio, conta o que aconteceu:

“Meu grande sonho sempre foi fazer um curso com a Fátima Toledo. Com a ajuda dos meus irmãos, consegui me inscrever para um, e fui para São Paulo só pra isso. E logo no primeiro dia de aula, assim que me viu, a Fátima me perguntou se eu jogava capoeira. Com eu disse que sim, fiz um vídeo com ela, assim, meio rapidinho. No dia seguinte, já estava embarcando pra Bahia fazer um teste para a Dinorá”.

O diretor João Daniel Tikhomiroff, que acompanhou os primeiros testes incógnito, reconhece que, depois que viu o vídeo com Jessica, sentiu que sua escolha para o papel não seria tão difícil quanto ele imaginava. “A beleza exótica dela chamou nossa atenção desde o início. E quando ela começou os testes, vimos também que, além de boa atriz, ela parecia ter sido moldada de corpo e alma para ser a Dinorá”, lembra João.

No set de Besouro, é difícil não notar a presença de Jessica. Não apenas pela beleza da mulata de olhos claros e cabelo exuberante - que ora estão soltos, ora estão trançados, dependendo da cena que ela está rodando -, mas também pela postura concentrada que adota tanto diante das câmeras quanto fora delas, nos intermináveis intervalos de espera entre um plano e outro. Como todo bom discípulo de Fátima Toledo, Jessica não “faz” a Dinorá. Jessica “é” a Dinorá. Mesmo que seja se protegendo do sol inclemente da Chapada debaixo de uma barraca da produção, tomando um reles copinho de água mineral, sendo presa a cabos de aço para “voar” em cena ou aquecendo o personagem.

Deu no Globo

terça-feira, 21|10|2008

O jornal O Globo publicou, na sua revista de domingo passado, um perfil de Dee Dee, o chinês que está fazendo os personagens de Besouro voarem no set. Clique nos links para baixar as páginas da matéria em formato PDF:

Luz, câmera… Ação! (parte 1)

Luz, câmera… Ação! (parte 2)


Igatu by night. E bye-bye, Igatu

domingo, 19|10|2008
O Bar Igatu, de Seu Guina: point noturno de Igatu

O Bar Igatu, de Seu Guina: um dos points noturnos durante as semanas que a equipe de Besouro filmou ali

IGATU (BA) - O sábado, dia 18, marcou o último dia de filmagens de Besouro na locação de Igatu. A partir da segunda-feira, dia 20, e até meados de novembro, a cidade de Lençóis, também na Chapada, será a base de operações do filme. Mas o último dia de trabalho em Igatu não foi especial apenas por marcar a despedida da equipe deste simpático lugarejo de casas e ruínas de pedra. Foi também a primeira e única virada de filmagens noturnas de Besouro nesta locação.

A calmíssima Igatu - que em geral à noite só tem algum movimento no Bar Igatu, do folclórico Seu Guina (leia em breve uma matéria sobre ele) ou na Pizzaria das Pedras - desta vez ficou agitada a madrugada inteira, com holofotes, rebatedores, baterias e geradores espalhados por diversos pontos e cenários escolhidos para as noturnas. A noite foi marcada também pela filmagem de algumas cenas cruciais para a trama do filme (que este blog não vai contar, pode esquecer) e pela participação de dois ilustres figurantes. Confira abaixo algumas fotos dessa noitada de muito trabalho:

Os holofotes na praça ajudam a dar um aspecto fantasmagórico a Igatu
Os holofotes na praça ajudam a dar um aspecto fantasmagórico a Igatu
Uma cena em andamento: algo importante vai acontecer aí. Quer saber o quê? Assista ao filme quando ele ficar pronto
Uma cena em andamento: algo importante vai acontecer aí. Quer saber o quê? Assista ao filme quando ele ficar pronto
A última refeição da equipe em Igatu foi na verdade uma última ceia: já passava da meia-noite
A última refeição da equipe em Igatu foi na verdade uma última ceia: já passava da meia-noite
Tonico e Tinoco? Não: Caíque Ferreira Martins e Luiz Henrique Fonseca, produtor-executivo e diretor de produção de Besouro, devidamente paramentados para uma figuração pra lá de ilustre na madrugada de filmagens
Tonico e Tinoco? Não: Caíque Ferreira Martins e Luiz Henrique Fonseca, produtor-executivo e diretor de produção de Besouro, devidamente paramentados para uma figuração pra lá de especial
Sem efeitos: o ator Irandir dos Santos se machuca de verdade numa cena e recebe os primeiros-socorros da turma da maquiagemSem efeitos: o ator Irandir dos Santos se machuca de verdade numa cena e recebe os primeiros-socorros da turma da maquiagem
Sem efeitos: o ator Irandhir Santos se machuca de verdade numa cena e recebe os primeiros-socorros da turma da maquiagem
Olha o caminhão da Bia aí: lotado de roupas, o transporte do figurino pronto para mudar de locação

Olha o caminhão da Bia aí, gente: lotado de roupas, ele aguarda para transportar o figurino para uma nova locação

A coordenadora de arte, Marina Lage, a assistente de arte Isabela de Oliveira e a assistente de produção Lilian Navarro assistem à filmagem de uma cena

A coordenadora de arte, Marina Lage, a assistente de arte Isabela de Oliveira e a assistente de produção Lilian Navarro assistem à filmagem de uma cena

João Daniel e Dee Dee, o coordenador de cenas de ação, brincam durante um intervalo: o chinês é voador e muito boa praça

O diretor João Daniel e Dee Dee, o coordenador de cenas de ação, brincam durante um intervalo: o chinês é voador e muito boa praça

Luz montada, equipe aguardando: imagem comum na noite de um set de cinema

Luz montada no meio da rua, equipe aguardando no meio-fio: imagem comum nas filmagens noturnas, não foi diferente em Igatu

Novamente, o curioso cenário provocado pelos holofotes e rebatedores na noite escura de Igatu

Besouro, o que não deveria voar, mas voa

sábado, 18|10|2008
Ailton Carmo, o Besouro, decola nas ruínas de Igatu, na Chapada Diamantina

Ailton Carmo, o Besouro, decola nas ruínas de Igatu, na Chapada Diamantina, em plano filmado na última sexta-feira, com auxílio dos cabos do chinês Dee Dee

Aquecimento radical

sexta-feira, 17|10|2008

IGATU (BA) - As imagens abaixo poderiam ter sido feitas durante as fimagens de um plano qualquer de Besouro. Não foram. Mostram “apenas” o aquecimento dos atores do elenco - um exercício de entrega total aos personagens, desenvolvido segundo a técnica da preparadora Fátima Toledo. Normalmente, ele é feito discretamente, num local mais reservado, sem a presença do resto da equipe. Mas blog flagrou:

Produção: Nos bastidores dos bastidores de Besouro

quinta-feira, 16|10|2008

Muito antes do primeiro grito de “ação”. Muito antes da escolha dos atores ou do início das intervenções cenográficas. E certamente muito, mas muito antes deste blog ter sido concebido, a turma da produção de Besouro já trabalhava firme para viabilizar as filmagens em lugares tão inóspitos quanto Igatu e Lençóis, na Chapada Diamantina, e em fazendas, cachoeiras e igrejas do Recôncavo Baiano.

Desde junho, a equipe do produtor-executivo Caíque Martins Ferreira, do diretor de produção Luiz Henrique Fonseca, da coordenadora Cláudia Reis e das assistentes de produção Clara Machado, Sandra Leite, Lilian Navarro e Renata Amaral vem montando a infra-estrutura necessária para viabilizar o trabalho das diversas etapas de Besouro na Bahia. Um infra que atingiu seu auge com o início das filmagens, dia 30 de setembro, e que tem no seu dia-a-dia números impressionantes.

Caíque, Clara e Cláudia (sentados); Luiz Henrique, Renata e Lilian: a equipe raladora da produção de Besouro, que conta ainda com Sandra (foto abaixo)

Para servir às 146 pessoas diretamente envolvidas na produção, mais os 30 atores e 80 figurantes, nada menos que 29 veículos funcionam diariamente, transportando gente, equipamentos e comida entre o set e os locais de hospedagem da equipe, que nessa fase inicial do filme se espalham simplesmente por todos os hotéis disponíveis em Andaraí e seu distrito de Igatu. Na frota da producão, além de carros, vans e kombis, há até um caminhão guindaste, usado nas cenas de vôos coordenadas pela equipe do chinês Dee Dee.

Só de comida, a equipe de Besouro terá consumido, até o fim das filmagens, 300 quilos de feijão, 60 quilos de sal, 270 quilos de café, quase uma tonelada de gelo, 160 dúzias de banana, 96 melancias e mais de 20 mil copinhos de água mineral, entre diversos outros ítens. A julgar pelas primeiras semanas de filmagem, mais de 500 latas de filme terão sido gastas pelas quatro câmeras que já vêm sendo usadas no set. Número que pode crescer ainda mais, pois há uma quinta câmera chegando por aí.

Sandra Leite: percorrendo as próximas locações de Besouro para acertar os últimos detalhes

Sandra Leite: percorrendo as próximas locações de Besouro para acertar os últimos detalhes

A complexidade dessa estrutura - amplificada pela multiplicidade de locações que o filme exige - foi surgindo aos poucos durante a pré-produção. Inicialmente, Besouro seria filmado quase que inteiramente em apenas uma locação, no Recôncavo Baiano. Esse era o desejo do diretor João Daniel. Afinal, o mítico capoeirista viveu e morreu em Santo Amaro da Purificação. Mas depois de rodar por toda a região, Caíque Martins e a primeira assistente de direção do filme, Malu Miranda, perceberam que nem Santo Amaro nem nenhuma outra descaracterizada cidade do Recôncavo representaria bem o cenário que a concepção do filme exigia.

Assim, a dupla convenceu João Daniel a encontrar em Igatu, paradoxalmente a mais de 600 quilômetros do mar, a ambientação ideal para a cidade ribeirinha do início do século 20 que o filme retrata. Igatu, porém, é só a primeira das 13 locações de Besouro, que será rodado ainda em fazendas e localidades naturais da vizinha Lençóis, de outras duas cidades da Chapada e ainda três municípios do Recôncavo.

A logística para viablizar isso tudo, naturalmente, é complexa. Desde antes do início das filmagens em Igatu, a equipe de produção já mantém profissionais circulando pelas demais locações, preparando tudo para a chegada das equipes nas datas estipuladas. A lista de todo esse planejamento inclui reservas em hotéis, compra de passagens, aluguel de equipamentos, negociações com fornecedores, elaboração de contratos e muito mais. Isso sem falar nos afazeres rotineiros, que vão do transporte diário de atores e figurantes ao set até a compra de mantimentos e o pagamento dos “perdins” (do latim per diem), que é a grana de alimentação paga semanalmente à equipe.

Somando-se a isso os incidentes, os pneus furados, os gastos de última hora e as visitas imprevistas, tem-se a medida do trabalho da turma da produção. Que pode se resumir também em uma única frase: de sol a sol.


Fotos da galera

quarta-feira, 15|10|2008

Imagens do set feitas pela turma que trabalha atrás das câmeras de Besouro:

Na foto do coordenador de efeitos visuais Robson Sartori, o contra-regra Farinha segura o peixe que vai voar durante uma cena de Besouro

Na foto do coordenador de efeitos visuais Robson Sartori, o contra-regra Farinha segura um peixe que vai 'voar' com a ajuda do chroma key

O diretor João Daniel Tikhomiroff e a atriz Jessica Barbosa, a Dinorá

O diretor João Daniel Tikhomiroff e a atriz Jessica Barbosa, clicados pelo maquiador Martin Macías

Na foto da gerente de comunicação da Mixer, Berenice Menezes, Kátia Lund, que dirige o making of de Besouro, entrevista o diretor João Daniel

Na foto da gerente de comunicação da Mixer, Berenice Menezes, a diretora Kátia Lund, que faz o making of de Besouro e um documentário sobre as lendas em torno do protagonista, entrevista o diretor João Daniel

A pequena Crislaine diverte-se na barraca de milho reproduzida na feira livre do set de Besouro. Enquanto espera o "grito de guerra" da assistente de direção Malu Miranda (AÇÃO!), ela brinca de esconde-esconde com a avó, também figurante do filme. Com o cachê, a atriz-mirim moradora de Igatu faz planos para comprar uma bicicleta.

Outra foto de Berenice: a pequena figurante Crislaine se diverte sob uma das barracas da feira dos pobres

Na foto da assistente de arte Isabela de Oliveira, um detalhe importante da cenografia: uma oferenda a Exu na encruzilhada

Na foto da assistente de arte Isabela de Oliveira, um detalhe importante da cenografia: uma oferenda a Exu na encruzilhada

Isabela também registrou, durante a pré-produção, o trabalho de alteração das fachadas das casas de Igatu, feitas com a ajuda dos próprios moradores

Isabela também registrou, durante a pré-produção, o trabalho de alteração das fachadas das casas de Igatu, feitas com a ajuda dos próprios moradores

Besouro e Exu posam para a câmera do maquiador Martin

Besouro e Exu posam para a câmera do maquiador Martin

15 dias de filmagem: Entrevista com João Daniel Tikhomiroff

quarta-feira, 15|10|2008

IGATU (BA) - Assista abaixo a um bate-papo com o diretor de Besouro sobre a evolução do elenco nas filmagens, a relação da equipe com as locações, as dificuldades do set e os próximos desafios da produção, que embarca para Lencóis, também na Chapada Diamantina, no começo da semana que vem.

Farjalla FX: A ‘Família Buscapé’ dos efeitos especiais

terça-feira, 14|10|2008
A equipe da Farjalla e sua Kombi: amizade e experiência

A equipe da Farjalla e sua Kombi: amizade e experiência

Tiro de festim, tiro em objetos, tiro em corpos, tiro no chão, tiro de poeira, tiro de fagulha, vento, chuva, fogo, sangue e explosões. São de perder a conta os efeitos especiais que as filmagens de Besouro requerem. Não é de se estanhar, portanto, que a Farjalla FX, empresa fundada pelo pioneiro dos efeitos especiais no Brasil, Sérgio Farjalla, tenha trazido para a Bahia nada menos que uma tonelada de equipamentos e material de trabalho para serem usados no set de Besouro.

Só de tiros de festim há 800 cargas, de diversos calibres. Armas são 75: 30 cenográficas, 45 verdadeiras (devidamente adaptadas para festim, claro), e ainda dois “fuzis” de paint-ball, usados para disparar bolinhas carregadas de poeira ou fagulha, que fazem o efeito de balas atingindo o chão durante cenas de tiroteio.  No caminhão da Farjalla, vieram ainda duas turbinas de vento, dezenas de quilômetros de fios para detonação de explosivos, geradores de fumaça e um sem-número de outros apetrechos e macetes, usados com maestria pela equipe formada pelo coordenador de efeitos especiais e armas do filme, Márcio Farjalla, e seus assistentes Eugênio Carlos Salvador, João dos Santos e Luis Henrique Andrade.

Besouro corre e Farjalla atira bolas de paint-ball, com carga de poeira em sua direção: é a equipe da FX em ação

Um ator corre lá embaixo e cá em cima Farjalla atira bolas de paint-ball com carga de poeira em sua direção: é a equipe da FX em ação

Com a experiência de quem já trabalha com armas e efeitos especiais há mais de 20 anos - é sobrinho do fundador e um dos sócios da Farjalla FX - Márcio atua nas filmagens também como instrutor de tiro e coordenador de cenas de ação que envolvem o uso de armamentos. “Estudo armas desde garoto. Tenho uma coleção de armas antigas em casa. Então, uso essa experiência para orientar os atores, figurantes e dublês sobre como manusear revólveres e espingardas de época da maneira mais adequada”, conta Márcio.

No set de Besouro, Farjalla e sua equipe atuam afinados. Quando não estão trabalhando em alguma cena, dando tiros de paint-ball, fazendo fumaça ou provocando explosões, é fácil encontrá-los na Kombi branca que usam como transporte, depósito, local de descanso e “sala de reunião”, onde discutem as melhores soluções de efeitos para os próximos planos

. Um dos maiores desafios da equipe neste filme ocorrerá no fim de novembro, quando coordenarão a simulação de um grande incêndio. “Sem dúvida, vai ser nosso trabalho mais difícil em Besouro”, diz Márcio, ao lado dos insperáveis assistentes, com quem já trabalha há muitos anos. “Somos uma família. Uma família Buscapé, mas ainda assim uma família”, brinca.

Takes do set

terça-feira, 14|10|2008
A tarde cai e o ator Irandir Santos, na pele do chefe de jagunços Noca de Antônia, se prepara para entrar em cena no último plano de mais um dia de filmagens em Igatu

A tarde cai e o ator Irandhir Santos, na pele de Noca de Antônia, se prepara para liderar a entrada em cena dos jagunços do Coronel Venâncio no último plano de mais um dia de filmagens em Igatu

Do outro lado, Jéssica Barbosa e Anderson Grillo se aquecem para uma cena

Jéssica Barbosa e Anderson Grillo se aquecem para uma cena

Zulmira se concentra para uma cena

Geisa, a Dona Zulmira de Besouro, se concentra antes de entrar no set

A capa de proteção da câmera exibe outras produções que ela já filmou

A capa de proteção da câmera exibe os títulos de outros filmes que ela já filmou

Aqui vai a legenda

A diretora do making of, Kátia Lund, em ação

Cinema pra mim é…

segunda-feira, 13|10|2008

Dar um pouco do seu ar para um personagem poder viver, na visão do ator e capoeirista Anderson Grillo, o Quero-Quero de Besouro

A despedida do Válter

domingo, 12|10|2008
Válter Lagoa orienta um dos atores-mirins de Besouro: técnica e dedicação

Válter Lagoa orienta atores-mirins no set de Besouro: técnica e dedicação

IGATU (BA) - A lembrança dos mais de dois meses que o paulista de 30 anos Válter Lagoa passou em Andaraí - auxiliando a preparadora de atores Fátima Toledo no treinamento do elenco de Besouro - certamente será marcante para ele. Mas para os jovens atores capoeiristas do filme (e também para os mais experientes, por que não?), que durante todo esse tempo tiveram nele uma espécie de professor, consultor, treinador, paizão e conselheiro, a lembrança de Válter será sem dúvida inesquecível.
Graças à presença de Válter, o trabalho da oficina de preparação de Fátima pode se estender pelas duas primeiras semanas de filmagem, permitindo que os atores se familiarizassem melhor com os exercícios de respiração, biodança, meditação, aquecimento e concentração desenvolvidos para o elenco.
Após a última cena supervisionada por Válter, o abraço carinhoso e emcionado de Aílton Carmo, o Besouro, no preparador de atores

Após a última cena supervisionada por Válter, o abraço carinhoso e emocionado de Aílton Carmo, o Besouro, no preparador de atores

No último sábado, depois de cumprir sua missão e deixar todos os atores tinindo, Válter deixou a locação de Igatu e voltou para São Paulo, onde mora. Sua despedida, com direito a discurso do diretor João Daniel Tikhomiroff, foi emocionante:

Figurinos: Entrando no caminhão da Bia

domingo, 12|10|2008

IGATU (BA) - Bia Salgado, a figurinista de Besouro, gosta de dizer que cinema, para ela, é a imagem do seu caminhão cheio de roupas, chegando e saindo dos sets de filmagem da vida. Quando chegou a Igatu, vindo do Rio de Janeiro, o caminhão da Bia estava assim: lotado. Nele vieram mais de 500 montagens de roupas, que irão compôr cerca de 300 figurinos diferentes - e outros tantos repetidos - para atores e figurantes. Só de chapéus são mais de 100. Tudo organizadamente espalhado pelas quatro salas que o departamento de figurinos ocupa nos escritórios da produção, instalados nas próprias casas dos moradores de Igatu.

Bia Salgado com as assistentes Fúlvia Costalonga e Valéria Stefani e o camareiro Fernando Jesus: a equipe de figurinos de Besouro, que conta ainda com a assistente Mariana Reginaldo

Bia Salgado, Fúlvia Costalonga (ao centro), Valéria Stefani e Fernando Jesus: a equipe de figurinos de Besouro, que conta ainda com Mariana Reginaldo

Com o auxílio de uma equipe que chegou a ter mais de 15 pessoas durante a pré-produção, Bia Salgado, suas assistentes Fulvia Costalonga e Mariana Reginaldo, o camareiro Fernando Jesus e a figurinista assistente Valéria Stefani passaram algumas semanas preparando as roupas de cerca de 20 atores e mais de 80 figurantes. Neste caso, a preparação incluiu uma série de tratamentos para envelhecer e sujar os tecidos, para que eles ficassem não só de acordo com as roupas usadas por habitantes de uma comunidade pobre do interior da Bahia nos anos 20, mas que também cumprissem com o conceito estipulado pelo diretor de arte Claudio Amaral Peixoto para recriar esse universo.”A idéia do filme é fazer algo que, quando o espectador olhasse, praticamente sentisse o cheiro. Tratou-se, portanto, de um trabalho muito mais de textura do que propriamente de desenho ou corte das roupas”, diz Bia.

Para atingir essa textura, a equipe de figurino abusou de tratamentos à base de betume, tinta e o famoso “melecão”, uma mistura feita com chá, café, amaciante e outros produtos que, quando passados na roupa, deixam a impressão de desgaste e sujeira. O tingimento de sujeira cenográfica serve também como um filtro para a fotografia, para não chamar a atenção demais para a roupa dos figurantes.

Outro desafio da equipe de figurino foi fazer as roupas casarem com o tipo fisico dos figurantes. “Encontramos muitas pessoas negras que têm o cabelo alisado, por exemplo, coisa que não existia na Bahia dos anos 20″, lembra a assistente Valéria, que responde pelas vestimentas de todos os figurantes da locação de Igatu.

Igatu, antes e depois de Besouro

sexta-feira, 10|10|2008

IGATU (BA) - Como este blog já mostrou, as intervenções cenográficas na arquitetura de Igatu foram imensas, tudo para deixar o pequeno vilarejo perdido no tempo ainda mais parecido com uma cidade do Recôncavo Baiano dos anos 20. Além da pintura nas fachadas e da construção de cenários interiores em várias casas, um telefone público e 11 postes de energia elétrica das principais ruas do lugar foram retirados, e as casas afetadas estão recebendo luz e telefone por um cabeamento provisório. As fotos abaixo deixam clara essa transformação. A primeira, feita pelo diretor de produção de Besouro, Luiz Henrique Fonseca, durante os trabalhos de preparação da locação, mostra como era a principal rua de Igatu até julho de 2008. A segunda foi feita ontem.

Antes…

Depois:

Após as filmagens, o orelhão e sete dos 11 postes retirados serão recolocados no lugar. E,  desta vez, já respeitando as normas do Iphan para a preservação de patrimônios históricos.

Cinema pra mim é…

sexta-feira, 10|10|2008

… “eu e meu caminhão”, no ponto de vista de Bia Salgado, a figurinista de Besouro:

Takes do set

quinta-feira, 9|10|2008
Em cena, Besouro e Exu, face a face pela primeira vez

Em cena, Aílton e Sérgio: Besouro e Exu, face a face pela primeira vez

Lição de coreografia: Dee Dee mostra como é que faz...

Lição de coreografia: Dee Dee mostra como é que faz...

... e Aílton Carmo, o Besouro, executa com perfeição

... e Aílton Carmo, o Besouro, executa com perfeição

Sono dos justos: num intervalo entre as filmagens, uma figurante dorme

Sono dos justos: num intervalo entre as filmagens, uma figurante dorme

Sem comparação: na curiosa foto do maquiador Martin Macías, o teste da peruca que o dublê chinês vai usar para substituir Jessica Barbosa, a Dinorá, nas cenas mais arriscadas de Besouro

Sem comparação: na curiosa foto do maquiador Martin Macías, o teste da peruca que o dublê chinês Tengfei Tang vai usar para substituir Jéssica Barbosa, a Dinorá, nas cenas mais arriscadas de Besouro

O terceiro assistente de direção Daniel Lentini, que dirige a figuração, cuidando para não faltar cachaça cenográfica no copo da turma

O terceiro assistente de direção Daniel Lentini, que dirige a figuração, cuidando para não faltar cachaça cenográfica na feira

O loader Pedro Sotero prepara mais um chassis com filme virgem: em média, são 15 latas de filme por dia nas filmagens de Besouro

No saco preto, o loader Pedro Sotero prepara mais um chassis com filme virgem: em média, o set de Besouro consome 15 latas por dia

No computador da arte, o mouse virou beatle

E no computador da arte, o mouse virou beetle...

Nílton Júnior: ‘Sou a cara do Cobra Criada’

quinta-feira, 9|10|2008
Nilton Júnior num intervalo das filmagens, ao lado de três meninas figurantes: tranquilão

Nilton Júnior durante as filmagens, brincando com figurantes: felicidade total

IGATU (BA) - “Besouro, para um capoerista, é como Jesus Cristo para os cristãos”. É com essa definição forte que o ator Nilton Júnior, o Cobra-Criada de Besouro, resume a importância que sente ao participar das filmagens do longa-metragem baseado nas lendas de um dos maiores mitos de todos os tempos da capoeira. A comparação procede: no imaginário popular, Besouro representou um marco na resistência à opressão aos negros do começo do século 20, recém-libertos da escravidão porém ainda amarrados a um sistema econômico e social que os tratava com sub-cidadãos.

“Besouro Mangangá, Mestre Pastinha e Mestre Bimba, entre outros, são absolutamente inspiradores pra gente”, ressalta o ator, que reconhece ainda estar nas nuvens pela oportunidade de atuar em Besouro. Técnico de informática em Salvador, filho de capoeirista e ele próprio professor de capoeira, Nilton foi levado pelo pai para fazer os testes para o filme, sem ter muita idéia do que estava fazendo. “Fiz o teste nervoso. Não jogava havia um tempo, estava gordo e até um pouco barrigudo… Mas não é que passei?”, lembra, divertido.

Alguns testes e entrevistas depois, Nilton desembarcou em Andaraí no dia 10 de agosto, já como parte integrante do elenco. Mas sua trajetória até o início das filmagens, semana passada, não foi exatamente em céu de brigadeiro. A princípio chamado para ser o Quero-Quero (o melhor amigo de Besouro, que tem uma participacão fundamental na trama) acabou tendo o seu papel trocado no meio das oficinas de preparação. Quero-Quero ficou para Anderson Grillo e Nilton ganhou o papel de Cobra Criada. Decepção? Franco, ele reconhece que sim. Mas nada que não tenha sido facilmente superado.

“Tenho 26 anos, não sou mais menino. O Anderson tem mais o ímpeto, a competição que o personagem do Quero-Quero exige. Notei isso desde o início. Além disso, a Fátima conseguiu me convencer de que eu sou a cara do Cobra Criada”, diz Nilton, referindo-se à preparadora de atores Fátima Toledo. “Por isso, continuei muito, muito feliz de estar fazendo esse trabalho”, conclui.

Sobre o futuro como ator, Nilton usa uma bonita metáfora para explicar suas incertezas. “Ser um ator de verdade é como estar num rio. Mesmo não querendo, a correnteza leva a gente. Por isso, vamos ver o que acontece”, diz. Mas por enquanto, ele insiste, seu objetivo é um só: ser, de corpo e alma, um capoeirista chamado Cobra Criada.

João Daniel avalia os primeiros sete dias de filmagem

quinta-feira, 9|10|2008

IGATU (BA) - Na última terça-feira, 7 de outubro, a produção de Besouro completou sua primeira semana de filmagens na locação de Igatu, na Chapada Diamantina. O diretor João Daniel Tikhomiroff conversou com o blog sobre os trabalhos até o momento, e falou também sobre as suas expectativas para os próximos dias no set. Veja:

O balé aéreo de Igatu

quarta-feira, 8|10|2008
Pendurado a cinco metros de altura, Dee Dee aguarda a preparação do set e observa

Pendurado a mais de cinco metros de altura: rotina na vida do chinês Dee Dee

IGATU (BA) - Sim, os chineses, de novo… Aliás, não exatamente chineses. É toda de Hong Kong a equipe de dublês de Huen Chiu Ku, o Dee Dee, coreógrado de cenas de ação das filmagens de Besouro. A ex-colônia britânica que hoje é um estado autônomo encravado na China é também o berço dos filmes de kung fu orientais. E foi por lá, nos anos 80, que Dee Dee começou sua carreira de dublê. Hoje, é pendurado em cabos de aço, orientando cenas de ação ou mesmo operando câmeras em tomadas arriscadas que ele e seus pupilos se sentem à vontade. No foto acima, Dee Dee aguarda o momento de literalmente aterrisar a câmera nas mãos de Enrique Chediak, como mostra a foto abaixo, num ousado (e voador!) plano-sequência.

Uma câmera subjetiva que voa: situação recorrente em Besouro

Uma câmera subjetiva que voa: situação recorrente nas filmagens de Besouro

Mais Besouro na mídia

quarta-feira, 8|10|2008

As filmagens em Igatu continuam sendo notícia pela internet:

- No Filme B: Começam as filmagens de Besouro

- No Blog do Noblat: Vale a pena acessar: Blog do Besouro, o filme

- No Yahoo Cinema: Brasileiro premiado em Cannes estréia em longa

Takes do set

terça-feira, 7|10|2008

IGATU (BA) - Mais imagens do dia-a-dia de Besouro:

A equipe da segunda unidade instalando a câmera sobre uma típica formação de pedras da Chapada Diamantina
A equipe da segunda unidade instalada sobre uma típica formação de pedras da Chapada Diamantina
O diretor de produção Luiz Henrique Fonseca com dois elementos fundamentais para a equipe de Besouro: rádio-comunicador e chapéu de sol

O diretor de produção Luiz Henrique Fonseca com dois elementos fundamentais para a equipe de Besouro: rádio-comunicador e chapéu de palha

A segunda assistente de direção, Paula Lima, acompanha um plano da segunda unidade

A segunda assistente de direção, Paula Lima, acompanha um plano da segunda unidade

Um pé dentro da bolsa: coisas de cinema
Um pé dentro da bolsa: coisas de cinema
Júnior, assistente de platô: alto astral 24 horas por dia
Júnior, assistente de platô: alto astral 24 horas por dia
O diretor João Daniel Tikhomiroff observa a filmagem de um plano
O diretor João Daniel Tikhomiroff observa um plano
O ator Flávio Rocha, o Coronel Venâncio de Besouro, aguarda para entrar em cena

O ator Flávio Rocha, o Coronel Venâncio de Besouro, aguarda para entrar em cena

Válter Lagoa, assistente de preparação de atores e paizão do elenco brinca com seu mais novo "filho": o menino Diego, que será um importante personagem do filme

Válter Lagoa, assistente de preparação de atores e paizão do elenco brinca com seu mais novo `filho`: o menino Diego, que será um personagem importante no filme

Sérgio Laurentino: A transformação em Exu

terça-feira, 7|10|2008

Laurentino na pele de Exu: mudança pessoal para fazer o personagem

IGATU (BA) - IGATU (BA) - Com seus mais de dois metros de altura, o ator Sérgio Laurentino, 31, impressiona quando surge no set de filmagens caracterizado de Exu, seu personagem em Besouro. O penteado, a maquiagem e, principalmente, as lentes vermelhas nos olhos dão um aspecto fantástico à sua caracterização, que pode ser percebido antes mesmo de ele entrar em cena. Ainda assim, é por dentro que Sérgio garante ter passado por sua maior transformação para interpretar o Orixá que terá grande importância na trajetória do protagonista Besouro.

“Não me reconheço mais desde que comecei a trabalhar esse personagem. Encaro a oportunidade de fazer esse papel muito mais como uma mudança de vida, uma transformação, do que um trabalho profissional. E devo isso ao trabalho da Fátima e do Válter”, diz Sérgio, referindo-se à preparadora de atores Fátima Toledo e seu assistente Válter Lagoa, que está acompanhando as primeiras semanas de filmagem e já virou um paizão para a maioria dos atores.

“Eles me ensinaram a descobrir e usar tudo o que eu tenho dentro de mim. Isso é muito mais difícil do que meramente construir um personagem como ator. Graças a esse trabalho, mudei a forma de ver o mundo, de enxergar as pessoas. Descobri até mesmo que sou capaz de matar. Foi muito profundo”, diz ator do Bando de Teatro Olodum, que mesmo fora do set adotou a fala mansa e pausada de um Orixá.

Nos próximos dias, Sérgio, que não é capoeirista, participará de uma cena de luta. Para tanto, tomou algumas aulas para aprender a gingar e adotar a postura de capoeira. Não aprendeu nenhum golpe, mas não se preocupa com isso. “Exu pode derrubar qualquer adversário com um sopro. Tenho certeza de que isso não será problema”, brinca.

A equipe de dublês em ação

segunda-feira, 6|10|2008

Pendurado por cabos controlados pelos chineses, o dublê Rogério corre por sobre as pedras. No alto, à direita, Dee Dee observa a cena pelo video assist

ANDARAÍ (BA) - Pela primeira vez desde o início das filmagens, a equipe de Besouro se dividiu, seguindo um planejamento que ainda vai se repetir diversas vezes nas próximas semanas. Nesta segunda-feira, enquanto a câmera do diretor de fotografia Henrique Chediak filmava na locação principal de Igatu sob o comando do diretor João Daniel, a Segunda Unidade - com a segunda assistente de direção Paula Lima, o operador de câmera Daniel Duran, o diretor de produção Luiz Henrique Fonseca e equipe - desceu até o rio Piaba, a cerca de sete quilômetros de Igatu, para fazer sequências de luta e vôo com o capoeirista Rogério de Jesus Machado. Rogério é primo, aluno de capoeira e, pelos próximos dois meses, dublê do ator Aílton Carmo, o Besouro, nas cenas de ação em que o protoganista não aparece em primeiro plano.

Dee Dee observa o enquadramento de um vôo

Debaixo de um sol de rachar, Rogério teve trabalho para jogar capoeira em meio às pedras do Rio Piaba. Sofreu com dores no pé. Depois, estreou na frente das câmeras o equipamento de vôo da equipe do chinês Huen Chiu Ku, coordenador de cenas de ação do filme. Com os assistentes Wai Lun Fung, Jian Shu, Tengfei Tang, Lian Wang e Baoliang Li no controle dos cabos e contrapesos que permitem o vôo, Huen (ou Dee Dee, como é chamado pela equipe) fez Rogério dar rasantes debaixo de uma ponte que passa sobre o rio Piaba

Abaixo, uma palinha do show do capoeirista dublê Rogério de Jesus nas pedras do Rio Piaba:

Operando a grua

segunda-feira, 6|10|2008

IGATU (BA) - Um momento tenso em qualquer filmagem: a realização de um plano-sequência de quase um minuto de duração, com atores dialogando e se movimentando. Tudo captado com auxílio de uma grua operada remotamente. Veja, na imagem abaixo, o trabalho preciso do operador de câmera Daniel Duran, observado de perto pelo diretor de fotografia Henrique Chediak.

Cinema pra mim é…

domingo, 5|10|2008

… a história de uma pessoa que a gente ajuda a contar, na opinião de Denise Correia, atriz do filme Besouro, de João Daniel Tikhomiroff:

Takes do set

sábado, 4|10|2008

IGATU (BA) - Algumas imagens dos primeiros quatro dias de filmagens:

Câmera e microfone sobre o ator Irandhir Santos, que vive Noca de Antônia, chefe dos capangas de Coronel Venâncio

A primeira assistente de direção, Malu Miranda, dá instruções pelo rádio

O diretor de arte Claudio Amaral Peixoto, a cenógrafa Karen Araújo e a coordenadora de arte Marina Lage trabalham no escritório da produção

Soninho, assistente de maquinária, tomando conta da grua

Nil, assistente de maquinária, dá um trato nas rodas do sistema de trilhos para tomadas em traveling

O técnico de som José Louzeiro, concentrado na captação de uma cena

A claquete de uma das câmeras, numa raro momento de descanso durante as filmagens

O homem IBGE de Igatu

sábado, 4|10|2008
Seu Amarildo: A memória viva de Igatu

Seu Amarildo: a memória manuscrita do vilarejo

IGATU (BA) - Dos 367 habitantes de Igatu, 111 têm televisão em casa - oito em preto e branco. Aparelhos de som são 51, enquanto somam 36 as famílais que já têm DVD. Sete pessoas ainda possuem vídeo-cassete e são oito as residências que continuam sem luz elétrica. Carros são 21, motos 16 e telefones fixos, 13. Há oito viúvas e nasceu no dia 2 de junho de 1917 a moradora mais velha do vilarejo.

Todas essas informações - e muitas, muitas outras mais - são arquivadas e atualizadas cuidadosamente pelo senhor Amarildo dos Santos, um ex-professor primário e ex-operador telefônico de 45 anos, nascido e criado em Igatu, que em 1994 assumiu, por conta própria, a nobre e árdua função de registrar todos os fatos e estatísticas do lugar. E é graças a ele que Igatu preserva, de forma comovente, toda a sua história.

A capa do caderno estatístico: tudo a mão

O caderno estatístico: 'tiragem' de dez exemplares por ano

Amarildo registra tudo à mão, em folhas de papel almasso. E não é apenas uma vez: a cada ano, ele copia pelo menos dez edições manuscritas de cada um de seus livros de registro - tal e qual os monges beneditinos faziam nos mosteiros medievais - com direito a ilustrações feitas pelos moradores, uma para cada exemplar.

Cada caderno, revisto e atualizado anualmente, tem uma função específica: um descreve os pontos turísticos da vila e das imediações; outro guarda o levantamento estatístico de “tudo o que há em Igatu”. Para manter esta publicaçõa sempre em dia, Amarildo guarda grossos cadernos com os dados de todos os moradores e suas famílias, registrando nascimentos, casamentos, mortes, chegadas de forasteiros e ausências temporárias ou definitivas de moradores que foram tentar a vida no sul maravilha. Tudo meticuloso. E à mão.

Amarildo tem ainda uma terceira publicação, valiosíssima, que preserva os nomes de localidades e expressões antigas do garimpo. E tem, por fim, a sua própria autobiografia. Na qual expõe, na última página, os três grandes sonhos - sonhos mesmo - de toda a sua vida: viajar para o Rio de Janeiro, ver um show do Roberto Carlos, e, mais que tudo no mundo, conhecer a Xuxa.

“Quando conseguir vê-la, por um minutinho que for, já posso morrer em paz”, diz Amarildo, numa simplicidade tocante, enquanto mostra sua coleção completa de discos da apresentadora. Ou quase: “Ainda me falta o último DVD dela. Dei o dinheiro para um amigo comprar pra mim em Salvador, mas até agora ele não apareceu”, conta.

Graças ao seu trabalho e às suas paixões, a casa de Amarildo - que fica exatamente ao lado do escritório da produção de Besouro -  é uma atração turística. Além de expôr e vender na parede da sala seus livros estatísticos e documentais, o “historiador” de Igatu oferece, para quem quiser ver e ouvir, uma coleção de centenas de revistas com reportagens sobre Xuxa, além de discos dela e do rei Roberto. De quebra, ainda vende cigarros, doces, licores e uma seleção de geladinhos que anda fazendo o maior sucesso com a turma do platô.

***

Igatu em números:

Habitantes: 367
Homens: 163
Mulheres: 153
Forasteiros: 51
Crianças: 74
Adolescentes: 41
Mães: 68
Casais: 62
Idade do morador mais velho: 91 anos
Carros: 21
Motos: 16
Pousadas: 8
Comércios: 29
Empregados com carteira assinada: 79
Formados no segundo grau: 57
Eleitores: 255
Formados em curso superior: 10
Professores: 8
Dentistas: 1
Médicos: 1

 

Cinema pra mim é…

sexta-feira, 3|10|2008

… espera, no ponto de vista do ator Macalé dos Santos, o Tio Alípio de Besouro:

Besouro na mídia!

sexta-feira, 3|10|2008

Notícias sobre as filmagens de Besouro já começam a aparecer na internet por aí. O site da revista Meio & Mensagem e o Omelete, página especializada em cinema, TV e quadrinhos, foram os primeiros a dar. Vejam:

Meio & Mensagem: Filmagens de Besouro são relatadas em blog diário

Omelete: Publicitário brasileiro mais premiado em Cannes começa seu primeiro longa-metragem

Ajudando Mestre Alípio a morrer

sexta-feira, 3|10|2008

IGATU (BA) - A sequência que dá início aos desdobramentos da trama de Besouro foi filmada nesta sexta-feira: o assassinato de Mestre Alípio, mentor do herói, por um dos capangas de Coronel Venâncio. Longe desse blog revelar como, exatamente, Mestre Alípio vai morrer. Mas fica aqui o registro das instruções que o ator Macalé dos Santos recebeu do diretor João Daniel Tikhomiroff, minutos antes de rodar a cena. Repare que um tiro na perna ele já tinha levado, numa cena anterior. Faltavam agora os dois balaços de misericórdia.


***

Balaços que, na foto abaixo, à esquerda, o coordenador de efeitos especiais Márcio Farjalla preparou sem piedade. Com carga de festim, eles foram disparados pelo ator Miguel Lunardi (abaixo, à direita), que faz o papel do capanga assassino.

***

Simultaneamente, um sistema eletrônico detonou pequenos explosivos instalados na roupa de Mestre Alípio, poderosos o suficiente para romper o tecido e fazer vazar o sangue cenográfico armazenado em pequenas bolsas. Que o camareiro Fernando de Jesus (ao lado), da equipe da figurinista Bia Salgado, tratou de “estancar” com rapidez, para evitar que a roupa ficasse manchada demais para o caso de precisar ser usada uma segunda vez.

Quem foi Besouro, afinal?

sexta-feira, 3|10|2008
Reprodução de uma representação de Besouro em ação, feita nos anos 20, que mostra o cabelo do herói no formato do inseto
Reprodução de uma representação de Besouro em ação, que mostra o cabelo do herói no formato do inseto

IGATU (BA) - A primeira coisa que o diretor João Daniel Tikhomiroff diz para quem quer entender a história de seu Besouro é que o filme sobre o lendário capoeira baiano não é uma reconstituição histórica. E também é mais que um filme de ficcão. “É um filme de fantasia, baseado nas lendas a respeito do Besouro”, diz o diretor. As lendas a gente deixa para você conhecer no segundo semestre de 2009, quando o filme for lançado. Mas nunca é demais conhecer um pouco da história real do Besouro para entender ainda melhor a fantasia do filme. Então vamos lá:

Besouro Mangangá, ou Besouro Cordão de Ouro, era o apelido de capoeira de um baiano de Santo Amaro da Purificação chamado Manoel Henrique Pereira, que viveu entre 1897 e 1924. Filho de João Grosso e Maria Haifa, nunca teve uma profissão certa, mas era muito popular na cidade por suas extraordinárias habilidades na capoeira, que teria aprendido de um tio. O apelido, Besouro, teria vindo da comparação de suas habilidades com a capacidade improvável do besouro de voar apesar de seu pesado exoesqueleto.

Entre as lendas a respeito do mestre, diz-se que ele tinha a capacidade de desaparecer. O que é fato, porém, é que Besouro era conhecido por ter “corpo fechado” (expressão usada no Candomblé para designar pessoas protegidas por alguma de suas entidades) e, principalmente, por não ter um bom relacionamento com a polícia. Muito menos com os fazendeiros da região do lugarejo de Maracangalha, onde dizem que realizou a maior parte de suas façanhas. Após sua morte, em 1924, a memória de Besouro passou décadas restrita à comunidade negra e dos capoeiristas. Somente em 2007, uma placa em sua homenagem foi colocada na Santa Casa de Misericórida de Salvador, local onde Besouro faleceu, aos 27 anos.

Há muito poucas publicações sobre a vida de Besouro. Uma delas, o livro “Feijoada no Paraíso - a saga de Besouro, o capoeira”, de Marco Carvalho, inspirou o diretor João Daniel a escrever o roteiro de seu filme. O personagem também é citado no livro em Mar Morto, de Jorge Amado, como “o mais valetnte dos negros do cais de Santo Amaro”. A maior parte do conhecimento público a respeito dele, porém, é perpetuada pelas músicas a seu respeito, comuns nas rodas de capoeira há 80 anos. Uma delas fala justamente sobre as, digamos, ‘indisposições’ entre Besouro e as forças de segurança pública de uma Bahia que ainda subjugava os negros recém-libertos da escravidão e tratava como crime de vadiagem a reunião para danças de capoeira:

Seu Chefe de polícia
O barulho está formado
Tem um cara lá na praça
Batendo no seus soldados.
Capitão saiu correndo,
Tenente está desmaiado!

Seu cabra, conte direito
Não me faça confusão!
Como pode um só homem
Batendo num batalhão?

Mas esse cara é diferente,
Não se pode confiar.
Dizem até que não é gente
E vem lá de Magangá

Pois então chame reforço
Chame uma guarda inteira!
Ele é filho do Demônio,
É Besouro Capoeira!

Zum zum zum, Besouro Magangá
Bateu foi na polícia
De soldado à general!

***
Uma outra característica forte de Besouro, o corpo fechado, aparece nesta outra canção abaixo:

Cadê o Besouro

Besouro Mangangá era homem de corpo fechado
Bala não matava e navalha não lhe feria
Sentado ao pé da cruz enquanto a polícia o seguia
Desapareceu enquanto o tenente dizia

Cadê o Besouro
Cadê o Besouro
Cadê o Besouro Chamado Cordão de Ouro

Besouro era um homem que admirava a valentia
Não aceitava a covardia Maldade não admitia
Com a traição quebrou-se a feitiçaria
Mas a reza forte só Besouro quem sabia
Cadê o Besouro Cadê o Besouro
Cadê o Besouro Chamado Cordão de Ouro

Cadê o Besouro
Cadê o Besouro
Cadê o Besouro Chamado Cordão de Ouro

Atrás de Besouro, o tenente mandou a cavalaria
No estado da Bahia
E Besouro não sabia
Já de corpo aberto,
Fez sua feitiçaria
Cada golpe de Besouro Era um homem que caia

Cadê o Besouro
Cadê o Besouro
Cadê o Besouro Chamado Cordão de Ouro

***

A mais famosa música sobre Besouro, contudo, é essa abaixo, conhecida por todo mundo que já jogou capoeira. Conta a trajetória da vida do herói, que terminou tragicamente assassinado. Ninguém sabe exatamente como ele morreu, mas rezam as lendas - que a música abaixo reproduz - de que ele foi ferido com uma faca de ticum, espécie de madeira que, de acordo com as tradições do candomblé, é o único material capaz de ferir quem tem corpo fechado.

Besouro preto

Quem é você que acaba de chegar

Eu sou Besouro Preto
Besouro de Mangangá
Eu vim lá de Santo Amaro
Vim aqui só pra jogar
Quem é você que acaba de chegar
Quem é você que acaba de chegar

Eu sou Besouro Preto
Besouro de Mangangá
Ando com corpo fechado
Carrego meu patuá
Quem é você que acaba de chegar
Quem é você que acaba de chegar

Me chamam Besouro Preto
Besouro de Mangangá
Bala de rifle nào me pega
Que dirá faca de matar
Quem é você que acaba de chegar
Quem é você que acaba de chegar

Aqui em Maracangalha
Você não vai escapar
Contra faca de tucum
Ninguém pode se salvar
Quem é você que acaba de chegar
Quem é você que acaba de chegar