Saiu o resultado da promoção “Mostre seu Gingado de Capoeira”.
Confira os vencedores:
-1º Colocado: Nicolau Chaud
-2º Colocado: Filipe Augusto Leite de Carvalho
Parabéns aos participantes!
Agradecemos a todos que enviaram vídeos para a promoção.
Se você não ganhou não fique triste, ainda tem promoção rolando nas redes sociais oficiais do Besouro.
O filme já está chegando aos cinemas.
Estréia sexta-feira, dia 30 de Outubro.
Não perca!
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PROMOÇÃO “LENDAS DA CAPOEIRA”
COMO RECEBEMOS MUITAS INSCRIÇÕES DA PROMOÇÃO “LENDAS DA CAPOEIRA” A APURAÇÃO FOI PRORROGADA E O RESULTADO SERÁ DIVULGADO NA QUARTA-FEIRA (04/11/2009) ÀS 16:00.
As exibições de Besouro em São Paulo, Rio e Salvador renderam várias reportagens sobre o lançamento, sobre o filme, os atores e seus personagens. Confira algumas abaixo:
Para o Jornal Hoje, Besouro já faz de Aílton Carmo uma celebridade na Bahia:
No Vídeo Show, uma matéria especial sobre o filme e a cobertura da festa de lançamento no Rio de Janeiro:
O Jornal SP TV foi conferir a festa de lançamento em São Paulo:
O RJ TV também marcou presença na premiére do Rio:
Para dar continuidade a série de entrevistas e perfis de alguns dos grandes mestres da capoeira brasileira que reverenciam Besouro, o blog do herói traz para vocês, no vídeo abaixo, aquele que é considerado por muitos capoeiristas um dos maiores expoentes vivos do esporte.
José Tadeu Carneiro Cardoso, mais conhecido como Mestre Camisa, nasceu em Jacobina, na Bahia, e aprendeu a arte da Capoeira nos anos 60 com seu irmão mais velho, Camisa Roxa. Em 1972 foi morar no Rio de Janeiro, onde começou a dar aulas em academias e a pesquisar a capoeira para desenvolver o seu próprio estilo e método de ensino.
Camisa fundou a ABADÁ-CAPOEIRA, um grupo que hoje já possui uma expressiva representatividade em diversos países do mundo, tais como Estados Unidos, México, Canadá, Alemanha, França, Dinamarca, Inglaterra e Israel.
Mestre Camisa é considerado um dos mestres capoeiristas mais técnicos e disciplinados da capoeira. Atualmente, cerca de 30 mil discípulos seguem sua filosofia, doutrina, normas e fundamentos.
Ele é uma lenda viva e inspira gerações de capoeiristas no Brasil e no mundo, assim como o herói Besouro, de quem Camisa fala com reverência, carinho e respeito.
Assista ao vídeo:
“Um mito nacional, um herói brasileiro. Besouro é tudo isso e mais alguma coisa” - Mestre Camisa
No vídeo abaixo, Rica Amabis, diretor musical de Besouro, fala sobre o trabalho de composição, execução e edição da triha sonora de Besouro, que é assinada por ele e pelos músicos Pupillo e Tejo Damasceno, todos do coletivo musical Instituto. Segundo Rica, o processo de concepção e produção das músicas foi singular na carreira do grupo: “Já fizemos outras trilhas, mas normalmente recebemos o filme já pronto, com as músicas de referência para cada cena. No caso do Besouro, tivemos liberdade total para criar do zero, junto com a edição em si. Foi uma experiência ótima”, diz o diretor musical, que contou ainda com as participações luxuosas de Naná Vasconcelos, como percussionista convidado, de Gilberto Gil, autor e intérprete da canção-tema do filme, e ainda de integrantes do grupo Nação Zumbi, que colaboraram na composição e arranjo de algumas músicas. Acompanhe:
E aqui abaixo, reveja um pouco de como foi a participação de Naná Vasconcelos na trilha, no vídeo que o blog já publicou algumas semanas atrás:
Gil, em seu estúdio: "Besouro tem tudo para ser um super-herói brasileiro, um marco no cinema nacional"
Durante as gravações da música tema de Besouro, em junho, o Blog do Besouro bateu um papo com o cantor e compositor Gilberto Gil, autor e intérprete da canção que encerra o filme. Gil falou sobre o processo de criação da música, encomendada especialmente a ele pelo diretor João Daniel Tikhomiroff, e da importância que ele vê na figura histórica e no mito de Besouro. Confira aqui um pouco da conversa:
Blog do Besouro: Foi fácil fazer a música tema de Besouro?
Gilberto Gil: Não, não foi fácil. A composiçào me deu trabalho. Não tanto quanto o João teve para fazer o filme, claro, mas deu trabalho… Pois é um tema exigente. Um tema que pede comprometimento. Trata-se de falar de um herói brasileiro, negro, ligado à capoeira e ao candomblé, que são aspectos da nossa cultura só recentemente legitimados na sociedade brasileira. Por isso, tive muito cuidado pra fazer a música. Tentei compor de várias maneiras. Fiz tentativas mais tensas, outras mais poéticas, até chegar a esse espírito de samba de roda, que evita fazer uma descrição mítica do herói e envereda mais para o espírito lúdico de uma roda de capoeira. Essa foi a minha aposta. Felizmente, o João Daniel gostou.
BB: Qual a sua relação, como negro e baiano, com o mito do Besouro?
GG: Olha, em muitos momentos da minha vida na Bahia, especialmente na adolescência, eu tive muito contato com pessoas que tinham a memória do Besouro, principalmente no círculo da capoeira e do samba de roda. Mas os que mais me marcaram foram os relatos de dona Canô, mãe de Caetano Veloso, que foi contemporânea de Besouro, e gostava muito de contar suas histórias (Nota do Blog: Consta que Dona Canô testemunhou os últimos momentos da vida de Besouro: ela conta ter visto o herói sendo levado para um hospital, ensanguentado, no dia em que foi assassinado).
BB: Qual a importância do mito do Besouro num país como o nosso, tão carente de mitos e heróis?
GG: A mitologia é uma das fontes básicas de energia espiritual para um povo. Os mitos fazem parte do processo da educação. No caso do Besouro, é um mito relativamente recente, de menos de 100 anos, mas que tem um contexto ligado à ancestralidade da cultura africana. E isso tem uma importância muito grande para a cultura negra, para a sua consolidação e relevância dentro da cultura brasileira. E eu vejo o mito do Besouro muito importante também para a nossa juventude. Iso porque ele é um mito heróico, que é um conceito hoje muito entranhado na cultura jovem. Isso faz dele ancestral e moderno ao mesmo tempo, o que é muito interessante.
BB: Dá para dizer que o Besouro é um autêntico super-herói brasileiro?
GG: Acho que uma das coisas que me cativaram nesse projeto é exatamente isso. A narrativa do filme desloca as histórias do mito do Besouro para um contexto mais contemporâneo, atualizado com as linguagens usadas hoje no cinema direcionado ao público jovem. Isso deve fazer de Besouro um filme mais interessante do que já seria apenas pelo simples fato de mostrar a dimensão de um herói histórico. Os recursos visuais, as lutas, os voos, os efeitos especiais, eu espero que tudo isso contribua para transformar Besouro num verdadeiro marco no cinema brasileiro.
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Veja abaixo um flagrante de Gil ensaiando alguns acordes da música “Besouro”, momentos antes de entrar no estúdio para gravar:
Gilberto Gil canta, em seu estúdio no Rio de Janeiro, a música do filme
No começo de junho, uma equipe da produção de Besouro deixou São Paulo rumo a um dia de trabalho no Rio de Janeiro. O destino era o estúdio de gravação de Gilberto Gil, onde o cantor e compositor iria gravar a música tema do filme, composta por ele mesmo, e que deve encerrar a trilha sonora do filme. Numa sessão que durou cerca de quatro horas de trabalho, Gil colocou sua voz sobre a música, cujo arranjo já havia sido preparado pelos músicos da Nação Zumbi, que fizeram a trilha com a supervisão do produtor musical Rica Amabis. A sessão foi fechada, acompanhada apenas pelo diretor João Daniel e pelas equipes da trilha sonora e do making of.
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E deu no Ancelmo também:
O colunista Ancelmo Gois, do Jornal O Globo, publicou esta semana uma foto da gravação:
O trailer oficial de cinema de Besouro já está pronto. Com três minutos, ele foi exibido pela primeira vez no começo dessa semana, no site de notícias G1, e em menos de dois dias já se espalhou pela internet, graças aos membros das comunidades sobre o filme. Só no You Tube, uma versão do trailer publicada por um usuário já foi vista mais de 5 mil vezes. E para você que ainda não viu, a hora é essa de conferir o que nos aguarda nas telas de cinema:
A gravação da trilha de Besouro está em pleno andamento. Mais de 50% dos sons incidentais e canções que irão acompanhar - e enriquecer - a saga do maior capoeirista de todos os tempos já estão prontos e aplicados na edição do filme. Tudo fruto do trabalho da equipe de Rica Amabis, líder do coletivo musical Instituto e veterano em trilhas sonoras para cinema. São dele, por exemplo, os sons de O Invasor, de Beto Brant e Seja o que Deus quiser, de Murilo Salles. Em Besouro, Rica não está sozinho. Pelo contrário. Nos estúdios, a composição e a execução da trilha - carregada de elementos psicodélicos, na definição do próprio Rica - também estão a cargo da galera do Nação Zumbi. E o trabalho ainda conta com uma colaboração de alto luxo: o talento de Naná Vasconcelos, para muitos o melhor percussionista do mundo, e que foi protagonista, quatro anos atrás, do filme Diário de Naná, de Paschoal Samora, que nasceu como uma pesquisa sonora para o projeto de Besouro e acabou virando documentário premiado internacionalmente.
Naná participa da trilha introduzindo sons mágicos ao filme, principalmente nos momentos em que o herói Besouro aparece na tela. Para isso, o percussionista pernambucano visitou algumas vezes os estúdios de gravação da trilha. De frente para uma tela que exibia as cenas já prontas, Naná criava livremente, usando tambores, bumbos, gongos e até a própria voz, tudo enriquecido por efeitos sonoros da equpe de engenharia de som. No vídeo abaixo, um registro valioso desse trabalho, cedido gentilmente ao blog pelo Pupillo, baterista do Nação.
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Leia em breve: um bate-papo com Rica Amabis sobre o processo de criação da trilha de Besouro.
Em mais uma cena já editada para o primeiro corte de Besouro, o herói recebe de Zulmira - sua mentora espiritual, vivida pela atriz Geisa Costa - a proteção de Ogum contra seus inimigos. Veja:
Algumas semanas atrás, este blog bateu um longo papo com Gustavo Giani, o editor de Besouro. Além de explicar a quantas andava o processo de montagem do filme, que agora já está quase concluído em seu primeiro corte (leia mais sobre isso em breve), Gustavo acabou dando pra gente uma fantástica aula sobre o processo técnico e criativo de edição de imagens para um longa-metragem. O vídeo abaixo é um pouco grande, mas vale a pena assistir. Principalmente se você, mais que fã, também é um apaixonado pelas técnicas da sétima-arte:
Entre as cenas já montadas de Besouro às quais esse blog teve acesso, a que você verá abaixo é uma das mais impactantes. Mostra um diálogo entre os atores Flávio Rocha e Irandhir Santos - o coronel Venâncio e seu capanga-chefe, Noca de Antônia - após mais uma tentativa fracassada de capturar Besouro. A sequência dá a medida certa da estupefação da oligarquia local com os talentos mágicos do negro rebelde:
Caro leitor, comece este post vendo o vídeo ali embaixo. Rapidamente você vai entender o título. Nele você verá o ator paraibano Servílio de Holanda apanhando muito. Uma, duas três, cinco vezes. Voando, puxado por um cabo e se estatelando no meio da rua, com a proteção minguada de um colchonete entre ele e as pedras de Igatu. Numa dessas quedas, registradas pelo blog, Servílio machucou o ombro. Precisou colocar gelo e só o bom humor inquebrantável de quem ama sua profissão para não deixá-lo irritado.
Em Besouro Servílio interpreta o jagunço Genival, braço direito de Noca de Antônia, vivido pelo pernambucano Irandhir Santos, o jagunço-chefe do grupo do coronel Venâncio, personagem do também pernambucano Flávio Rocha. Os três, aliás, já se conhecem muito bem: atuaram juntos na minissérie A Pedra do Reino, uma experiência que certamente ajudou muito no entrosamento do núcleo dos “vilões” de Besouro.
Como todo o jagunço, durante o filme Servílio dá tiro pra todo o lado. Corre, grita, dá e leva ordens. E apanha, claro. Na cena que você vê, ele luta com Chico Canoa, amigo de Besouro vivido pelo ator baiano Leno Sacramento. Possuído por uma força sobre-humana (que você só vai entender quando ver o filme), Chico despacha o jagunço com um único chute, que o joga a metros de distância.
No cinema, você verá Servílio apanhando outras vezes mais. Quase tudo sem a ajuda de dublês, apara imprimir mais realismo às cenas cujo teor ele só tomava conhecimento minutos antes de a câmera rodar.
“O João Daniel não nos deixou ler o roteiro. Temos uma ideia geral da história mas só descobrimos o que vamos fazer e falar minutos antes da cena. Nunca tinha trabalhado assim e estou achando uma experiência extraordinária”, disse Servílio ao blog, numa entrevista feita durante as filmagens, minutos antes de tomar mais umas bordoadas.
Veja abaixo dois pontos de vista diferentes para uma mesma cena de Besouro. O primeiro vídeo, que já faz parte da primeira versão da edição final do filme, é um trecho da sequência que mostra um encontro mágico sob as águas da Lagoa da Pratinha, na Chapada Dimantina, com a orixá Oxum, rainha dos rios e do ouro, vivida no filme pela atriz Adriana Alves. Já o segundo mostra o making of desta mesma cena, gravado por este blog, que acompanhou debaixo d’água a câmera do operador Rodrigo Monte e seu assistente Lula Cerri.
Na cena finalizada, note que que, para aumentar o impacto mágico da sequência debaixo d’água, a trilha sonora do Nação Zumbi está executada em baixa rotação e, acredite, de trás para a frente! Já no making of, vale reparar que, para poder se posicionar corretamente debaixo d’água, Adriana Alves teve que usar um cinto de lastro em meio ao figurino. Confira nas imagens:
Com a montagem de Besouro seguindo a toda velocidade, alguns trechos do primeiro corte do longa-metragem já estão finalizados, e foram liberados pelo diretor João Daniel para serem usados como peça de divulgação. A partir de hoje, vamos exibir algumas destas cenas. O primeiro aperitivo, claro, será um dos planos iniciais, que apresenta os personagens principais da trama. Coincidentemente, a roda de capoeira em questão também foi filmada no primeiro dia de trabalhos no set. Confira:
Veja abaixo o diretor de Besouro, João Daniel Tikhomiroff, revelando as origens do seu fascínio pela capoeira e pelos capoeiristas, e como isso o influenciou na escolha do tema para o seu primeiro longa-metragem:
Apesar de não estar nem pronta ainda, há muito que a trilha sonora de Besouro vinha dando sinais de ser uma epopéia a parte nesse filme cheio de histórias paralelas. Para começar, foi entregue ao produtor musical Rica Amabis, articulador do coletivo Instituto, a missão de pilotar o trabalho conjunto entre a edição do filme e a composição da trilha, que vem sendo criada nesse momento por ele e pelos músicos do Nação Zumbi. Como se não bastasse, a canção tema (que este blog ouviu em primeira mão na semana passada!) foi encomendada a Gilberto Gil e - não é preciso nem dizer - ficou belíssima já na primeira versão, ainda sem arrranjo. E agora, para colocar a cereja final no bolo, o diretor João Daniel Tikhomiroff trouxe para a trupe musical da produção ninguém menos que Naná Vasconcelos, considerado por muitos o maior percussionista do mundo.
Na verdade, a presença de Naná no filme não é uma surpresa. Quatro anos atrás coube a ele, junto com o diretor Paschoal Samora, realizar para a Mixer uma pesquisa antropológico-musical em vídeo, no interior da Bahia, com vistas a ajudar o diretor João Daniel Tikhomiroff a criar o universo de seu Besouro ainda em processo de concepção. A pesquisa ficou tão boa que virou o premiado documentário Diário de Naná, vencedor do prêmio de melhor videodocumentário em média metragem do Cinesul de 2007, ganhador do troféu ABD do festival ‘É Tudo Verdade’ de 2006, no Rio, e ainda vencedor do prêmio Documentel Memória, do Festival de Cinema de Havana do mesmo ano.
Com tantas credenciais, nada mais justo que Naná participasse também da trilha. E coube a ele uma função especial: o percussionista pernambucano está produzindo os sons incidentais que acompanharão as sequências mágicas do filme, como os momentos em que Besouro voa. Cenas chaves, carregadas de significado, que o batuque inspirado de Naná Vasconcelos tem tudo para deixar ainda mais emocionantes. É aguardar para ver.
Veja aqui um trecho do filme Diário de Naná, de Paschoal Samora, produzido por João Daniel Tikhomiroff e Gil Ribeiro:
Feijoada no Paraíso é o título do livro do escritor carioca Marco Carvalho, que conta lendas e histórias a respeito do Besouro Mangangá, o maior capoeirista de todos os tempos. Quatro anos atrás, este livro caiu, quase que por acaso, de uma prateleira de livraria para as mãos de João Daniel Tikhomiroff. Surgiu aí a idéia de filmar a história de Besouro. É sobre todo esse processo de inspiração e muito trabalho que João Daniel fala na entrevista abaixo:
De todos os jovens protagonistas de Besouro, o ator Irandhir Santos talvez seja o mais experiente. Afinal, tem no currículo o papel principal em A Pedra do Reino, do diretor Luiz Fernando Carvalho, mini-série de alta qualidade que a Rede Globo exibiu em 2007, baseada na obra de Ariano Suassuna. Ainda assim, interpretar Noca de Antônia, o violento e taciturno chefe dos jagunços do coronel Venâncio, não tem sido tarefa fácil para este pernambucano de 30 anos que já está ficando famoso pela entrega com que se dedica a seus personagens.
“O Noca é um sujeito que traz nele sentimentos desumanos, nojentos. Para vivê-lo, eu tive que descobrir isso em mim também. Tive que lidar com a minha sombra, com aquilo que eu tenho de mais nojento, de mais mau dentro de mim. Foi difícil. Mas libertador”, conta o ator.
Para realizar essa transformação interna, Irandhir contou, claro, com a fundamental ajuda da preparadora de elenco Fátima Toledo. Foi ela quem ajudou o Irandhir de fala mansa, jeitão tranquilo e gentil a descobrir de onde tirar o ódio que faz Noca literalmente babar espuma em cena. E a chave para isso veio de uma constatação ancestral do ator: “Desde a infância, reprimo muito os palavrões. Foi destampando as palavras feias do meu subconsciente que pude buscar a alma do Noca dentro de mim”, diz Irandhir.
Nesta foto, Irandhir e Ailton Carmo não estão em cena - estão apenas aquecendo. Note que Noca baba de raiva. Em primeiro plano, Flávio Rocha, o coronel Venâncio, observa
De fato, basta alguns minutos de observação de Irandir no set para perceber esse processo. Seu aquecimernto para entrar em cena é um espetáculo à parte. “Miséria preta”, “safado” e “derrota” são apenas as publicáveis das palavras a que Irandhir recorre durante sua preparação, instantes antes de suas participações no filme. “Nunca falei tanto palavrão na minha vida como nas útlimas semanas”, reconhece o ator, entre surpreso e divertido. Uma entrega admirável, que dá a perfeita medida da dedicação do elenco de Besouro aos personagens desta fantástica história.
No vídeo abaixo, um flagrante de Irandhir destampando algumas de suas palavras feias para fazer emergir o ódio de Noca para uma cena de perseguição a Besouro nas ruas de Igatu:
LENÇÓIS (BA) - Seu João Feio tem 62 anos. Olhando de longe, parece bem mais. A aparência frágil, porém, esconde uma fibra rara de mandacaru. Seu João é vaqueiro desde os 13 anos, e uma lenda viva da Chapada Diamantina e arredores. “Toco boi desde que me entendo por gente. Graças a eles, hoje sou um homem rico e feliz. Mas já houve tempo em que era pobre de passar mês inteiro em cima de cavalo para poder dar de comer em casa”, conta o homem franzino, de pele grossa e voz de veludo. A riqueza de seu João, entenda-se, está na casa e nas cabeças de gado que cria. Sair de cima de um cavalo, contudo, “só quando Deus chamar”.
E foi em cima de um que Seu João, junto com outos 15 boiadeiros da região, teve seu momento de estrela no set de Besouro. Eles interpretaram os jagunços do Coronel Venâncio. Durante três dias, em Lencóis, protagonizaram uma grande cena de perseguição a Besouro, que contou com efeitos especiais, planos grandiosos e, claro, a perícia de todos eles sobre suas montarias.
Seu João e os demais vaqueiros foram arregimentados em fazendas e vilarejos da região pelo terceiro assistente de direção Daniel Lentini. O roteiro exigia que todos soubessem montar muito bem, para acompanhar o ator Flávio Rocha (o Coronel Venâncio, na foto acima cara a cara com Besouro), ele próprio calaveiro desde os tempos de garoto em Pernambuco. Para isso, Daniel recrutou-os durante um jogo de “Argolinha”, uma curiosa vaquejada da região em que os boiadeiros precisam atingir, com lanças improvisadas, pequenas argolas posicionadas no alto de traves de futebol - tudo regado a muita cachaça. “Quando vi que aqueles homens, naquele estado alcóolico, tinham habilidade para jogar aquele jogo sem cair do cavalo, tive certeza de que eles serviriam com sobras para o filme”, conta Daniel.
Mas montar a cavalo é apenas a primeira das muitas habilidades desses vaqueiros, acostumados a buscar boi no mato, laçar novilho a unha e tocar boiadas de uma cidade a outra, por trilhas que só eles conhecem na Chapada.
E uma dessas habilidades é cantar.
Os aboios, canções improvisadas dos sons que os vaqueiros fazem para tocar a boiada, são belíssimas pérolas da sabedoria popular da região da Chapada. Seu João Feio, claro, é um repentista de mão cheia. Mas os mais jovens seguem seus passos, e uma reunião de vaqueiros para ouvir aboios é uma experiência para se guardar para sempre na memória.
Num intervalo das filmagens de Besouro, eles apresentaram alguns aboios para o blog. Veja no vídeo abaixo:
LENÇÓIS (BA) - Ao fim da segunda semana de filmagens nesta cidade, o diretor João Daniel Tikhomiroff bateu mais um papo com o blog. Além de avaliar o complexo trabalho nas atuais locações - que tem planos de batalhas com cavalos, saltos espetaculares de cachoeiras e tomadas subaquáticas -, ele conta um pouco sobre o longo e permanentemente burilado processo de criação que trouxe Besouro até Lencóis, o levará até o Recôncavo Baiano na semana que vem e, em 2009, para as telas do mundo inteiro:
… uma aprendizagem dura, para o ator e diretor teatral Antônio Fábio, que faz em Besouro sua estréia em longas-metragens, interpretando o jagunço Serafim:
Na última noite de trabalho em Igatu, pouco antes de embarcar para a segunda fase de filmagens, que já acontecem em Lençóis, o diretor João Daniel Tikhomiroff conversou com o blog. Ele falou sobre a emoção de ter rodado aquela que será a última cena do filme, e também sobre a experiência de trabalhar com as equipes do diretor de fotografia, Enrique Chediak; do diretor de arte, Claudio Amaral Peixoto; e do coordenador de cenas de ação, Dee Dee. Confira:
IGATU (BA) - As imagens abaixo poderiam ter sido feitas durante as fimagens de um plano qualquer de Besouro. Não foram. Mostram “apenas” o aquecimento dos atores do elenco - um exercício de entrega total aos personagens, desenvolvido segundo a técnica da preparadora Fátima Toledo. Normalmente, ele é feito discretamente, num local mais reservado, sem a presença do resto da equipe. Mas blog flagrou:
IGATU (BA) - Assista abaixo a um bate-papo com o diretor de Besouro sobre a evolução do elenco nas filmagens, a relação da equipe com as locações, as dificuldades do set e os próximos desafios da produção, que embarca para Lencóis, também na Chapada Diamantina, no começo da semana que vem.
Válter Lagoa orienta atores-mirins no set de Besouro: técnica e dedicação
IGATU (BA) - A lembrança dos mais de dois meses que o paulista de 30 anos Válter Lagoa passou em Andaraí - auxiliando a preparadora de atores Fátima Toledo no treinamento do elenco de Besouro - certamente será marcante para ele. Mas para os jovens atores capoeiristas do filme (e também para os mais experientes, por que não?), que durante todo esse tempo tiveram nele uma espécie de professor, consultor, treinador, paizão e conselheiro, a lembrança de Válter será sem dúvida inesquecível.
Graças à presença de Válter, o trabalho da oficina de preparação de Fátima pode se estender pelas duas primeiras semanas de filmagem, permitindo que os atores se familiarizassem melhor com os exercícios de respiração, biodança, meditação, aquecimento e concentração desenvolvidos para o elenco.
Após a última cena supervisionada por Válter, o abraço carinhoso e emocionado de Aílton Carmo, o Besouro, no preparador de atores
No último sábado, depois de cumprir sua missão e deixar todos os atores tinindo, Válter deixou a locação de Igatu e voltou para São Paulo, onde mora. Sua despedida, com direito a discurso do diretor João Daniel Tikhomiroff, foi emocionante:
IGATU (BA) - Na última terça-feira, 7 de outubro, a produção de Besouro completou sua primeira semana de filmagens na locação de Igatu, na Chapada Diamantina. O diretor João Daniel Tikhomiroff conversou com o blog sobre os trabalhos até o momento, e falou também sobre as suas expectativas para os próximos dias no set. Veja:
Pendurado por cabos controlados pelos chineses, o dublê Rogério corre por sobre as pedras. No alto, à direita, Dee Dee observa a cena pelo video assist
ANDARAÍ (BA) - Pela primeira vez desde o início das filmagens, a equipe de Besouro se dividiu, seguindo um planejamento que ainda vai se repetir diversas vezes nas próximas semanas. Nesta segunda-feira, enquanto a câmera do diretor de fotografia Henrique Chediak filmava na locação principal de Igatu sob o comando do diretor João Daniel, a Segunda Unidade - com a segunda assistente de direção Paula Lima, o operador de câmera Daniel Duran, o diretor de produção Luiz Henrique Fonseca e equipe - desceu até o rio Piaba, a cerca de sete quilômetros de Igatu, para fazer sequências de luta e vôo com o capoeirista Rogério de Jesus Machado. Rogério é primo, aluno de capoeira e, pelos próximos dois meses, dublê do ator Aílton Carmo, o Besouro, nas cenas de ação em que o protoganista não aparece em primeiro plano.
Dee Dee observa o enquadramento de um vôo
Debaixo de um sol de rachar, Rogério teve trabalho para jogar capoeira em meio às pedras do Rio Piaba. Sofreu com dores no pé. Depois, estreou na frente das câmeras o equipamento de vôo da equipe do chinês Huen Chiu Ku, coordenador de cenas de ação do filme. Com os assistentes Wai Lun Fung, Jian Shu, Tengfei Tang, Lian Wang e Baoliang Li no controle dos cabos e contrapesos que permitem o vôo, Huen (ou Dee Dee, como é chamado pela equipe) fez Rogério dar rasantes debaixo de uma ponte que passa sobre o rio Piaba
Abaixo, uma palinha do show do capoeirista dublê Rogério de Jesus nas pedras do Rio Piaba:
IGATU (BA) - Um momento tenso em qualquer filmagem: a realização de um plano-sequência de quase um minuto de duração, com atores dialogando e se movimentando. Tudo captado com auxílio de uma grua operada remotamente. Veja, na imagem abaixo, o trabalho preciso do operador de câmera Daniel Duran, observado de perto pelo diretor de fotografia Henrique Chediak.